Nova encíclica do Papa Bento XVI: "Salvos na esperança"
O Papa parte de uma passagem da Carta de São Paulo aos Romanos, (versículo 24 do capítulo 8), onde se lê que "foi na esperança que fomos salvos".
A encíclica foi apresentada ao público no dia em que a Igreja celebra a festa litúrgica de Santo André, irmão de São Pedro, particularmente venerado no Oriente e padroeiro da Rússia, Ucrânia e Roménia. O Papa homenageou, assim, o Cristianismo oriental e o actual mundo ortodoxo.
A esperança é uma das três virtudes teologais, juntamente com a fé e a caridade. Esta última foi o tema da primeira encíclica de Bento XVI.
Para o Papa, a esperança - colocada à prova num mundo em constante mutação - é uma das pedras angulares da vida cristã, ao contrário do que, por exemplo, afirmava Nietzsche, para quem esta era a virtude dos "fracos". Mais uma oportunidade para olhar de frente questões levantas pelo pensamento moderno, num mundo marcado pelo relativismo e o secularismo.
Em entrevista à Rádio Vaticano, o respeitado teólogo Bruno Forte sublinhou a pertinência do tema e lembrou que "para os cristãos a esperança não é algo, não é a projecção de um desejo", "é alguém, alguém que veio, mas é também, inseparavelmente, alguém que virá: é Jesus Cristo".
"Essa é a novidade cristã, e nesse sentido o cristianismo é portador de sentido e de esperança de modo único e até mesmo paradoxal", indicou.
Numa "aldeia global" marcada pela "crise dos modelos ideológicos", os cristãos anunciam "Jesus Cristo, a esperança que não decepciona".
Ao assumir o seu ministério, Bento XVI afirmou que a sua missão era "a de fazer resplandecer diante dos homens e mulheres de hoje a luz de Cristo: não a sua própria luz, mas a de Cristo".
Como um professor, o Papa apresenta-se, desde o início do pontificado, numa linguagem que pode ser compreendida pela maior audiência de todas - o mundo. Bento XVI convida, sem cessar, indivíduos e sociedades a mudarem a sua relação com Deus, que muitas vezes é de indiferença e de confronto.
A existência de vidas sem espaço para Deus, nem para grandes ideais, preocupa verdadeiramente o Papa que não concebe a vida sem abertura à transcendência. Quando as portas do coração se fecham, não há nenhum lugar por onde Deus possa entrar, porque homens e mulheres dos nossos dias pensam "que não têm necessidade de Deus e não o querem".
O tema da segunda encíclica do pontificado enquadra-se neste conjunto reflexivo: os cristãos acreditam num "Deus com rosto, com rosto humano, que reconcilia, que supera o ódio e nos dá o poder da paz, que mais ninguém pode dar".
Octávio Carmo, in Agência Ecclesia

