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1 º Colóquio Social: «Situação Económica do País e Perspectivas de Futuro»

Apresentado pelo Comendador Rocha de Matos, presidente da AIP (Associação Industrial Portuguesa). Moderação do Dr. Acácio Catarino.
1 º Colóquio Social: «Situação Económica do País e Perspectivas de Futuro»

Comendador Rocha de Matos

A nossa Paróquia, de acordo com o Programa Pastoral (disponível no Cartório e na Internet), está a organizar ao longo do ano pastoral uma série de colóquios sobre temas sociais e doutrina social da Igreja.

No dia 15 de Dezembro de 2007, às 21h, reuniram-se cerca de 140 pessoas para participarem no primeiro colóquio, sobre a «Situação Económica do País e Perspectivas de Futuro», com a orientação do Dr. Acácio Catarino, e tendo como convidado o Comendador Rocha de Matos, presidente da AIP (Associação Industrial Portuguesa)

Estes colóquios são fruto da preocupação manifestada pelo Conselho Pastoral Paroquial com a problemática social na nossa freguesia e concretamente o desemprego e as dificuldades empresariais que hoje se verificam.

 

Síntese da comunicação do Comendador Rocha de Matos:

 

1. O diagnóstico

A economia portuguesa continua a apresentar ritmos de crescimento económico e de criação de emprego bastante modestos.

A proporção de jovens que conclui o ensino secundário e o ensino superior tem vindo a aumentar em Portugal, mas a ritmos bastante aquém dos necessários para suprir o desfasamento de Portugal face aos países de comparação. A melhoria das competências da população activa portuguesa no curto/médio prazo mantém-se extremamente débil e pouco adequada ao desafio da inovação e competitividade.

Em termos de disponibilidade e utilização das TICs, Portugal apresenta uma posição ainda relativamente baixa no contexto da UE.

Os custos unitários do trabalho continuam a crescer acima da média da área Euro, sobretudo acima do crescimento da produtividade, o que coloca a questão da sua sustentabilidade.

Os preços de energia continuam elevados no contexto europeu.

2. A dinâmica da economia e da sociedade portuguesas em matéria de inovação, competitividade e desenvolvimento económico e social

Há razões para pensar que iniciámos uma dinâmica positiva de crescimento da nossa economia, embora a um nível ainda insuficiente e não consolidado, longe ainda de pemitir retomar uma trajectória de convergência com a média da UE.

O que está a mudar?

Estamos a trilhar nos últimos dois anos uma trajectória positiva em matéria de consolidação das contas públicas.

Neste anos de mudanças, o consumo interno, o investimento e a despesa públicos, não são as variáveis mais dinâmicas da economia, cabendo actualmente esse papel ao investimento privado e às exportações de valor acrescentado crescente que estão a assegurar o crescimento da economia portuguesa.

Há nos últimos anos sinais visíveis na economia portuguesa que apontam para uma maior intensidade e dinamismo na cooperação universidade-empresa.

Estamos também a assistir a um incremento significativo da internacionalização da comunidade científica nacional.

Regista-se igualmente um maior dinamismo em matéria de propriedade intelectual, nas marcas e patentes.

Verificam-se também dinâmicas positivas em relação a determinados sectores de conhecimento intensivo e onde existe uma procura internacional dinâmica, como são os casos das Tecnologias da Informação e Comunicação, das Tecnologias da Saúde e das Tecnologias Energéticas Limpas.

Uma palavra de apreço também para os projectos de melhoria da competitividade de sectores tradicionalmente exportadores, com realce para os têxteis e calçado, assentes na inovação e na internacionalização.

O domínio da qualificação é aquele em que, embora reconhecendo os esforços que estão a ser feitos, se está ainda longe de visualizar resultados animadores, mesmo em questões báscias, como a do abandono escolar, em que as melhorias são pouco expressivas.

3. Onde queremos estar?

Creio que só há uma resposta: estar, no horizonte de uma década, diria até 2019, no grupo dos países mais competitivos e atractivos da União Europeia, dando sequência ao desafio que a AIP-CE lançou em 2003 quando apresentou a Carta Magna da Competitividade.

Outros países da União Europeia, da nossa dimensão, após crises profundas, conseguiram-no, como por exemplo a Irlanda, a Finlândia ou mesmo a Holanda. Conseguiram-no, naturalmente, com visão e com melhor organização, trabalhando melhor, com mais inteligência, com mais exigência e responsabilidade. Conseguiram-no também por via de compromissos fortes, traduzidos em Pactos Sociais mobilizadores das principais forças económicas, sociais e políticas, designadamente entre o governo, comunidade empresarial, os sindicatos, e os partidos políticos.

4. Com que estratégia?

A posição de Portugal na UE, que é a sua âncora, sai tanto mais reforçada quanto maior for a sua capacidade para valorizar a sua vertente atlântica, seja em relação ao países da CPLP, seja em relação a mercados exigentes do NAFTA, e ainda a relação com as grandes economias emergentes dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

O crescimento e a competitividade passam pela mobilização de uma parte significativa das PME, que constituem a espinha dorsal da nossa economia, para o terreno da internacionalização.

Em síntese, os grandes desafios que se colocam à competitividade em nosso entendimento:

  • garantir a sustentabilidade das contas públicas;
  • melhorar o nível de confiança em relação ao futuro, por via da articulação de boas políticas públicas e estratégias empresariais alicerçadas na tecnologia, no conhecimento e na inovação;
  • investir no capital humano, providenciando melhor educação e formação ao longo da vida;
  • implementar a reforma do Estado, da Administração Pública e da Justiça;
  • melhorar a cadeia de valor da economia e das empresas, com especial relevo para as PME;
  • fomentar pólos de competência reconhecidos internacionalmente, de acordo com as exigências da economia baseada no conhecimento;
  • investir na inteligência territorial estimulando a valorização competitiva e a conectividade do território;
  • valorizar o desenvolvimento regional e local, com um profundo envolvimento das comunidades locais, onde se incluem as micro-empresas e a economia de proximidade.

Uma economia inovadora, competitiva e com maior coesão social terá que ser sustentada por empresas:

  • com visão estratégica ambiciosa;
  • assentes em modelos de negócios, baseados em competências críticas;
  • com recursos humanos qualificados e fortemente motivados;
  • baseadas numa cultura de inovação e de empreendedorismo permanentes;
  • com estruturas organizacionais ágeis e flexíveis;
  • permeáveis à cooperação empresarial e às redes;
  • suportadas por sistemas de gestão eficientes;
  • com uma forte responsabilidade social.

Este último vector - a Responsabilidade Social das Empresas - constitui um tema emergente. Trata-se de uma nova concepção de empresa que incorpora não só as questões do ambiente, como reflecte "os problemas do crescimento económico, da saúde, do emprego e da educação e formação", valorizando a qualidade de vida numa perspectiva global.

Creio que, cada vez mais, a empresa dinâmica e competitiva tenderá para o conceito de "empresa cidadã", cuja marca distintiva assenta na sua inserção na comunidade, envolvendo-se na construção de uma sociedade melhor, em parceria com outros actores, nomeadamente as ONG's, as autoridades públicas e privadas e as comunidades locais.

Entendemos que está em causa um desafio colectivo que diz respeito a todos os portugueses, muito particularmente as comunidades regionais e locais, que têm de mobilizar-se e construir um país moderno, empreendedor, criativo, inovador, competitivo, com mais e melhor emprego e com maior coesão social, onde todos tenhamos orgulho em aprender, trabalhar e viver.

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