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  <title>Temas de actualidade</title>
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  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/mensagem-de-sua-santidade-bento-xvi-para-a-celebracao-do-xlv-dia-mundial-da-paz">
    <title>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A CELEBRAÇÃO DO XLV DIA MUNDIAL DA PAZ</title>
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    <description>1 DE JANEIRO DE 2012 - EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ</description>
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	<em><img alt="" src="/actualidade/papa.jpg/image" style="width: 148px; height: 157px; float: right;" />(Extra&iacute;do do <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html">s&iacute;tio do Vaticano</a>)</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	1. O IN&Iacute;CIO DE UM NOVO ANO, dom de Deus &agrave; humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confian&ccedil;a e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de n&oacute;s, fique marcado concretamente pela justi&ccedil;a e a paz.</p>
<p>
	Com qual atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de f&eacute; aguarda pelo Senhor &laquo; mais do que a sentinela pela aurora &raquo; (v. 6), aguarda por Ele com firme esperan&ccedil;a, porque sabe que trar&aacute; luz, miseric&oacute;rdia, salva&ccedil;&atilde;o. Esta expectativa nasce da experi&ecirc;ncia do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribula&ccedil;&otilde;es. Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. &Eacute; verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustra&ccedil;&atilde;o por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas ra&iacute;zes s&atilde;o primariamente culturais e antropol&oacute;gicas. Quase parece que um manto de escurid&atilde;o teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia.</p>
<p>
	Mas, nesta escurid&atilde;o, o cora&ccedil;&atilde;o do homem n&atilde;o cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista. Esta expectativa mostra-se particularmente viva e vis&iacute;vel nos jovens; e &eacute; por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer &agrave; sociedade. Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspectiva educativa: &laquo; <i>Educar os jovens para a justi&ccedil;a e a paz </i>&raquo;, convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperan&ccedil;a ao mundo.</p>
<p>
	A minha Mensagem dirige-se tamb&eacute;m aos pais, &agrave;s fam&iacute;lias, a todas as componentes educativas, formadoras, bem como aos respons&aacute;veis nos diversos &acirc;mbitos da vida religiosa, social, pol&iacute;tica, econ&oacute;mica, cultural e medi&aacute;tica. Prestar aten&ccedil;&atilde;o ao mundo juvenil, saber escut&aacute;-lo e valoriz&aacute;-lo para a constru&ccedil;&atilde;o dum futuro de justi&ccedil;a e de paz n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma oportunidade mas um dever prim&aacute;rio de toda a sociedade.</p>
<p>
	Trata-se de comunicar aos jovens o apre&ccedil;o pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consum&aacute;-la ao servi&ccedil;o do Bem. Esta &eacute; uma tarefa, na qual todos n&oacute;s estamos, pessoalmente, comprometidos.</p>
<p>
	As preocupa&ccedil;&otilde;es manifestadas por muitos jovens nestes &uacute;ltimos tempos, em v&aacute;rias regi&otilde;es do mundo, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com fundada esperan&ccedil;a. Na hora actual, muitos s&atilde;o os aspectos que os trazem apreensivos: o desejo de receber uma forma&ccedil;&atilde;o que os prepare de maneira mais profunda para enfrentar a realidade, a dificuldade de formar uma fam&iacute;lia e encontrar um emprego est&aacute;vel, a capacidade efectiva de intervir no mundo da pol&iacute;tica, da cultura e da economia contribuindo para a constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade de rosto mais humano e solid&aacute;rio.</p>
<p>
	&Eacute; importante que estes fermentos e o idealismo que encerram encontrem a devida aten&ccedil;&atilde;o em todas&nbsp; as componentes da sociedade. A Igreja olha para os jovens com esperan&ccedil;a, tem confian&ccedil;a neles e encoraja-os a procurarem a verdade, a defenderem o bem comum, a possu&iacute;rem perspectivas abertas sobre o mundo e olhos capazes de ver &laquo; coisas novas &raquo; (<i>Is </i>42, 9; 48, 6).</p>
<p>
	<i><strong>Os respons&aacute;veis da educa&ccedil;&atilde;o</strong></i></p>
<p>
	2. A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a aventura mais fascinante e dif&iacute;cil da vida. Educar &ndash; na sua etimologia latina <i>educere</i> &ndash; significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa. Este processo alimenta-se do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do jovem. Isto exige a responsabilidade do disc&iacute;pulo, que deve estar dispon&iacute;vel para se deixar guiar no conhecimento da realidade, e a do educador, que deve estar disposto a dar-se a si mesmo. Mas, para isso, n&atilde;o bastam meros dispensadores de regras e informa&ccedil;&otilde;es; s&atilde;o necess&aacute;rias testemunhas aut&ecirc;nticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abra&ccedil;a espa&ccedil;os mais amplos. A testemunha &eacute; algu&eacute;m que vive, primeiro, o caminho que prop&otilde;e.</p>
<p>
	E quais s&atilde;o os lugares onde amadurece uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o para a paz e a justi&ccedil;a? Antes de mais nada, a fam&iacute;lia, j&aacute; que os pais s&atilde;o os primeiros educadores. A fam&iacute;lia &eacute; c&eacute;lula origin&aacute;ria da sociedade. &laquo; &Eacute; na fam&iacute;lia que os filhos aprendem os valores humanos e crist&atilde;os que permitem uma conviv&ecirc;ncia construtiva e pac&iacute;fica. &Eacute; na fam&iacute;lia que aprendem a solidariedade entre as gera&ccedil;&otilde;es, o respeito pelas regras, o perd&atilde;o e o acolhimento do outro &raquo;.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a> Esta &eacute; a primeira escola, onde se educa para a justi&ccedil;a e a paz.</p>
<p>
	Vivemos num mundo em que a fam&iacute;lia e at&eacute; a pr&oacute;pria vida se v&ecirc;em constantemente amea&ccedil;adas e, n&atilde;o raro, destro&ccedil;adas. Condi&ccedil;&otilde;es de trabalho frequentemente pouco compat&iacute;veis com as responsabilidades familiares, preocupa&ccedil;&otilde;es com o futuro, ritmos fren&eacute;ticos de vida, emigra&ccedil;&atilde;o &agrave; procura dum adequado sustentamento se n&atilde;o mesmo da pura sobreviv&ecirc;ncia, acabam por tornar dif&iacute;cil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presen&ccedil;a dos pais; uma presen&ccedil;a, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experi&ecirc;ncia e as certezas adquiridas com os anos &ndash; o que s&oacute; se torna vi&aacute;vel com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para n&atilde;o desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperan&ccedil;a antes de tudo em Deus, o &uacute;nico de quem surgem justi&ccedil;a e paz aut&ecirc;nticas.</p>
<p>
	Quero dirigir-me tamb&eacute;m aos respons&aacute;veis das institui&ccedil;&otilde;es com tarefas educativas: Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja respeitada e valorizada em todas as circunst&acirc;ncias a dignidade de cada pessoa. Tenham a peito que cada jovem possa descobrir a sua pr&oacute;pria voca&ccedil;&atilde;o, acompanhando-o para fazer frutificar os dons que o Senhor lhe concedeu. Assegurem &agrave;s fam&iacute;lias que os seus filhos n&atilde;o ter&atilde;o um caminho formativo em contraste com a sua consci&ecirc;ncia e os seus princ&iacute;pios religiosos.</p>
<p>
	Possa cada ambiente educativo ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de di&aacute;logo, coes&atilde;o e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irm&atilde;os. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia ap&oacute;s dia a caridade e a compaix&atilde;o para com o pr&oacute;ximo e de participar activamente na constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade mais humana e fraterna.</p>
<p>
	Dirijo-me, depois, aos respons&aacute;veis pol&iacute;ticos, pedindo-lhes que ajudem concretamente as fam&iacute;lias e as institui&ccedil;&otilde;es educativas a exercerem o seu direito-dever de educar. N&atilde;o deve jamais faltar um adequado apoio &agrave; maternidade e &agrave; paternidade. Actuem de modo que a ningu&eacute;m seja negado o acesso &agrave; instru&ccedil;&atilde;o e que as fam&iacute;lias possam escolher livremente as estruturas educativas consideradas mais id&oacute;neas para o bem dos seus filhos. Esforcem-se por favorecer a reunifica&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias que est&atilde;o separadas devido &agrave; necessidade de encontrar meios de subsist&ecirc;ncia. Proporcionem aos jovens uma imagem transparente da pol&iacute;tica, como verdadeiro servi&ccedil;o para o bem de todos.</p>
<p>
	N&atilde;o posso deixar de fazer apelo ainda ao mundo dos <i>media </i>para que prestem a sua contribui&ccedil;&atilde;o educativa. Na sociedade actual, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o particular: n&atilde;o s&oacute; informam, mas tamb&eacute;m formam o esp&iacute;rito dos seus destinat&aacute;rios e, consequentemente, podem concorrer notavelmente para a educa&ccedil;&atilde;o dos jovens. &Eacute; importante ter presente a liga&ccedil;&atilde;o estreit&iacute;ssima que existe entre educa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o: de facto, a educa&ccedil;&atilde;o realiza-se por meio da comunica&ccedil;&atilde;o, que influi positiva ou negativamente na forma&ccedil;&atilde;o da pessoa.</p>
<p>
	Tamb&eacute;m os jovens devem ter a coragem de come&ccedil;ar, eles mesmos, a viver aquilo que pedem a quantos os rodeiam. Que tenham a for&ccedil;a de fazer um uso bom e consciente da liberdade, pois cabe-lhes em tudo isto uma grande responsabilidade: s&atilde;o respons&aacute;veis pela sua pr&oacute;pria educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o para a justi&ccedil;a e a paz.</p>
<p>
	<i><strong>Educar para a verdade e a liberdade</strong></i></p>
<p>
	3. Santo Agostinho perguntava-se: &laquo; <i>Quid enim fortius desiderat anima quam veritatem </i>&ndash; que deseja o homem mais intensamente do que a verdade? &raquo;.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn2" name="_ftnref2" title="">[2]</a> O rosto humano duma sociedade depende muito da contribui&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o para manter viva esta quest&atilde;o inevit&aacute;vel. De facto, a educa&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; forma&ccedil;&atilde;o integral da pessoa, incluindo a dimens&atilde;o moral e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim &uacute;ltimo e o bem da sociedade a que pertence. Por isso, a fim de educar para a verdade, &eacute; preciso antes de mais nada saber que &eacute; a pessoa humana, conhecer a sua natureza. Olhando a realidade que o rodeava, o salmista p&ocirc;s-se a pensar: &laquo; Quando contemplo os c&eacute;us, obra das vossas m&atilde;os, a lua e as estrelas que V&oacute;s criastes: que &eacute; o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes? &raquo; (<i>Sal </i>8, 4-5). Esta &eacute; a pergunta fundamental que nos devemos colocar: <i>Que &eacute; o homem?</i> O homem &eacute; um ser que traz no cora&ccedil;&atilde;o uma sede de infinito, uma sede de verdade &ndash; n&atilde;o uma verdade parcial, mas capaz de explicar o sentido da vida &ndash;, porque foi criado &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus. Assim, o facto de reconhecer com gratid&atilde;o a vida como dom inestim&aacute;vel leva a descobrir a dignidade profunda e a inviolabilidade pr&oacute;pria de cada pessoa. Por isso, a primeira educa&ccedil;&atilde;o consiste em aprender a reconhecer no homem a imagem do Criador e, consequentemente, a ter um profundo respeito por cada ser humano e ajudar os outros a realizarem uma vida conforme a esta sublime dignidade. &Eacute; preciso n&atilde;o esquecer jamais que &laquo; o aut&ecirc;ntico desenvolvimento do homem diz respeito unitariamente &agrave; totalidade da pessoa em todas as suas dimens&otilde;es &raquo;,<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn3" name="_ftnref3" title="">[3]</a> incluindo a transcendente, e que n&atilde;o se pode sacrificar a pessoa para alcan&ccedil;ar um bem particular, seja ele econ&oacute;mico ou social, individual ou colectivo.</p>
<p>
	S&oacute; na rela&ccedil;&atilde;o com Deus &eacute; que o homem compreende o significado da sua liberdade, sendo tarefa da educa&ccedil;&atilde;o formar para a liberdade aut&ecirc;ntica. Esta n&atilde;o &eacute; a aus&ecirc;ncia de v&iacute;nculos, nem o imp&eacute;rio do livre arb&iacute;trio; n&atilde;o &eacute; o absolutismo do eu. Quando o homem se cr&ecirc; um ser absoluto, que n&atilde;o depende de nada nem de ningu&eacute;m e pode fazer tudo o que lhe apetece, acaba por contradizer a verdade do seu ser e perder a sua liberdade. De facto, o homem &eacute; precisamente o contr&aacute;rio: um ser relacional, que vive em rela&ccedil;&atilde;o com os outros e sobretudo com Deus. A liberdade aut&ecirc;ntica n&atilde;o pode jamais ser alcan&ccedil;ada, afastando-se d&rsquo;Ele.</p>
<p>
	A liberdade &eacute; um valor precioso, mas delicado: pode ser mal entendida e usada mal. &laquo; Hoje um obst&aacute;culo particularmente insidioso &agrave; ac&ccedil;&atilde;o educativa &eacute; constitu&iacute;do pela presen&ccedil;a maci&ccedil;a, na nossa sociedade e cultura, daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa como &uacute;ltima medida somente o pr&oacute;prio eu com os seus desejos e, sob a apar&ecirc;ncia da liberdade, torna-se para cada pessoa uma pris&atilde;o, porque separa uns dos outros, reduzindo cada um a permanecer fechado dentro do pr&oacute;prio &ldquo;eu&rdquo;. Dentro de um horizonte relativista como este, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, portanto, uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o: sem a luz da verdade, mais cedo ou mais tarde cada pessoa est&aacute;, de facto, condenada a duvidar da bondade da sua pr&oacute;pria vida e das rela&ccedil;&otilde;es que a constituem, da validez do seu compromisso para construir com os outros algo em comum &raquo;.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn4" name="_ftnref4" title="">[4]</a></p>
<p>
	Por conseguinte o homem, para exercer a sua liberdade, deve superar o horizonte relativista e conhecer a verdade sobre si pr&oacute;prio e a verdade acerca do que &eacute; bem e do que &eacute; mal. No &iacute;ntimo da consci&ecirc;ncia, o homem descobre uma lei que n&atilde;o se imp&ocirc;s a si mesmo, mas &agrave; qual deve obedecer e cuja voz o chama a amar e fazer o bem e a fugir do mal, a assumir a responsabilidade do bem cumprido e do mal praticado.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn5" name="_ftnref5" title="">[5]</a> Por isso o exerc&iacute;cio da liberdade est&aacute; intimamente ligado com a lei moral natural, que tem car&aacute;cter universal, exprime a dignidade de cada pessoa, coloca a base dos seus direitos e deveres fundamentais e, consequentemente, da conviv&ecirc;ncia justa e pac&iacute;fica entre as pessoas.</p>
<p>
	Assim o recto uso da liberdade &eacute; um ponto central na promo&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e da paz, que exigem a cada um o respeito por si pr&oacute;prio e pelo outro, mesmo possuindo um modo de ser e viver distante do meu. Desta atitude derivam os elementos sem os quais paz e justi&ccedil;a permanecem palavras desprovidas de conte&uacute;do: a confian&ccedil;a rec&iacute;proca, a capacidade de encetar um di&aacute;logo construtivo, a possibilidade do perd&atilde;o, que muitas vezes se quereria obter mas sente-se dificuldade em conceder, a caridade m&uacute;tua, a compaix&atilde;o para com os mais fr&aacute;geis, e tamb&eacute;m a prontid&atilde;o ao sacrif&iacute;cio.</p>
<p>
	<i><strong>Educar para a justi&ccedil;a</strong></i></p>
<p>
	4. No nosso mundo, onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, n&atilde;o obstante as proclama&ccedil;&otilde;es de intentos, est&aacute; seriamente amea&ccedil;ado pela tend&ecirc;ncia generalizada de recorrer exclusivamente aos crit&eacute;rios da utilidade, do lucro e do ter, &eacute; importante n&atilde;o separar das suas ra&iacute;zes transcendentes o conceito de justi&ccedil;a. De facto, a justi&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma simples conven&ccedil;&atilde;o humana, pois o que &eacute; justo determina-se originariamente n&atilde;o pela lei positiva, mas pela identidade profunda do ser humano. &Eacute; a vis&atilde;o integral do homem que impede de cair numa concep&ccedil;&atilde;o contratualista da justi&ccedil;a e permite abrir tamb&eacute;m para ela o horizonte da solidariedade e do amor.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn6" name="_ftnref6" title="">[6]</a></p>
<p>
	N&atilde;o podemos ignorar que certas correntes da cultura moderna, apoiadas em princ&iacute;pios econ&oacute;micos racionalistas e individualistas, alienaram das suas ra&iacute;zes transcendentes o conceito de justi&ccedil;a, separando-o da caridade e da solidariedade. Ora &laquo; a &ldquo;cidade do homem&rdquo; n&atilde;o se move apenas por rela&ccedil;&otilde;es feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por rela&ccedil;&otilde;es de gratuidade, miseric&oacute;rdia e comunh&atilde;o. A caridade manifesta sempre, mesmo nas rela&ccedil;&otilde;es humanas, o amor de Deus; d&aacute; valor teologal e salv&iacute;fico a todo o empenho de justi&ccedil;a no mundo &raquo;.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn7" name="_ftnref7" title="">[7]</a></p>
<p>
	&laquo; Felizes os que t&ecirc;m fome e sede de justi&ccedil;a, porque ser&atilde;o saciados &raquo; (<i>Mt </i>5, 6). Ser&atilde;o saciados, porque t&ecirc;m fome e sede de rela&ccedil;&otilde;es justas com Deus, consigo mesmo, com os seus irm&atilde;os e irm&atilde;s, com a cria&ccedil;&atilde;o inteira.</p>
<p>
	<i><strong>Educar para a paz</strong></i></p>
<p>
	5. &laquo; A paz n&atilde;o &eacute; s&oacute; aus&ecirc;ncia de guerra, nem se limita a assegurar o equil&iacute;brio das for&ccedil;as adversas. A paz n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunica&ccedil;&atilde;o entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a pr&aacute;tica ass&iacute;dua da fraternidade &raquo;.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn8" name="_ftnref8" title="">[8]</a> A paz &eacute; fruto da justi&ccedil;a e efeito da caridade. &Eacute;, antes de mais nada, dom de Deus. N&oacute;s, os crist&atilde;os, acreditamos que a nossa verdadeira paz &eacute; Cristo: n&rsquo;Ele, na sua Cruz, Deus reconciliou consigo o mundo e destruiu as barreiras que nos separavam uns dos outros (cf. <i>Ef </i>2, 14-18); n&rsquo;Ele, h&aacute; uma &uacute;nica fam&iacute;lia reconciliada no amor.</p>
<p>
	A paz, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; apenas dom a ser recebido, mas obra a ser constru&iacute;da. Para sermos verdadeiramente art&iacute;fices de paz, devemos educar-nos para a compaix&atilde;o, a solidariedade, a colabora&ccedil;&atilde;o, a fraternidade, ser activos dentro da comunidade e sol&iacute;citos em despertar as consci&ecirc;ncias para as quest&otilde;es nacionais e internacionais e para a import&acirc;ncia de procurar adequadas modalidades de redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, de promo&ccedil;&atilde;o do crescimento, de coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento e de resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos. &laquo; Felizes os pacificadores, porque ser&atilde;o chamados filhos de Deus &raquo; &ndash; diz Jesus no serm&atilde;o da montanha (<i>Mt </i>5, 9).</p>
<p>
	A paz para todos nasce da justi&ccedil;a de cada um, e ningu&eacute;m pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justi&ccedil;a segundo as respectivas compet&ecirc;ncias e responsabilidades. De forma particular convido os jovens, que conservam viva a tens&atilde;o pelos ideais, a procurarem com paci&ecirc;ncia e tenacidade a justi&ccedil;a e a paz e a cultivarem o gosto pelo que &eacute; justo e verdadeiro, mesmo quando isso lhes possa exigir sacrif&iacute;cios e obrigue a caminhar contracorrente.</p>
<p>
	<i><strong>Levantar os olhos para Deus</strong></i></p>
<p>
	6. Perante o &aacute;rduo desafio de percorrer os caminhos da justi&ccedil;a e da paz, podemos ser tentados a interrogar-nos como o salmista: &laquo; Levanto os olhos para os montes, de onde me vir&aacute; o aux&iacute;lio? &raquo; (<i>Sal </i>121, 1).</p>
<p>
	A todos, particularmente aos jovens, quero bradar: &laquo; N&atilde;o s&atilde;o as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente o voltar-se para o Deus vivo, que &eacute; o nosso criador, o garante da nossa liberdade, o garante do que &eacute; deveras bom e verdadeiro (&hellip;), o voltar-se sem reservas para Deus, que &eacute; a medida do que &eacute; justo e, ao mesmo tempo, &eacute; o amor eterno. E que mais nos poderia salvar sen&atilde;o o amor? &raquo;.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn9" name="_ftnref9" title="">[9]</a> O amor rejubila com a verdade, &eacute; a for&ccedil;a que torna capaz de comprometer-se pela verdade, pela justi&ccedil;a, pela paz, porque tudo desculpa, tudo cr&ecirc;, tudo espera, tudo suporta (cf. <i>1 Cor </i>13, 1-13).</p>
<p>
	Queridos jovens, v&oacute;s sois um dom precioso para a sociedade. Diante das dificuldades, n&atilde;o vos deixeis invadir pelo des&acirc;nimo nem vos abandoneis a falsas solu&ccedil;&otilde;es, que frequentemente se apresentam como o caminho mais f&aacute;cil para superar os problemas. N&atilde;o tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrif&iacute;cio, de optar por caminhos que requerem fidelidade e const&acirc;ncia, humildade e dedica&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>
	Vivei com confian&ccedil;a a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, t&atilde;o rica e cheia de entusiasmo.</p>
<p>
	Sabei que v&oacute;s mesmos servis de exemplo e est&iacute;mulo para os adultos, e tanto mais o sereis quanto mais vos esfor&ccedil;ardes por superar as injusti&ccedil;as e a corrup&ccedil;&atilde;o, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a constru&iacute;-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em v&oacute;s pr&oacute;prios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos sintais sozinhos! A Igreja confia em v&oacute;s, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo &ndash; Ele que &eacute; a justi&ccedil;a e a paz.</p>
<p>
	Oh v&oacute;s todos, homens e mulheres, que tendes a peito a causa da paz! Esta n&atilde;o &eacute; um bem j&aacute; alcan&ccedil;ado mas uma meta, &agrave; qual todos e cada um deve aspirar. Olhemos, pois, o futuro com maior esperan&ccedil;a, encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gera&ccedil;&otilde;es, presentes e futuras, nomeadamente quanto &agrave; sua educa&ccedil;&atilde;o para se tornarem pac&iacute;ficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas refl ex&otilde;es que se fazem apelo: Unamos as nossas for&ccedil;as espirituais, morais e materiais, a fim de &laquo; educar os jovens para a justi&ccedil;a e a paz &raquo;.</p>
<p>
	<em>Vaticano, 8 de Dezembro de 2011.</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p align="center">
	<b>BENEDICTUS PP XVI</b></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<hr />
<p>
	<strong>Notas</strong></p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> Bento XVI, <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/january/documents/hf_ben-xvi_spe_20110114_amministrazione-lazio_po.html">Discurso aos administradores da Regi&atilde;o do L&aacute;cio, do Munic&iacute;pio e da Prov&iacute;ncia de Roma</a> </i>(14 de Janeiro de 2011): <i>L&rsquo;Osservatore Romano </i>(ed. port. de 22/I/2011), 5.</p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a> <i>Coment&aacute;rio ao Evangelho de S. Jo&atilde;o</i>, 26, 5.</p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a> Bento XVI, Carta enc. <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html">Caritas in veritate</a> </i>(29 de Junho de 2009), 11:<i> AAS </i>101 (2009), 648; cf. Paulo VI, Carta enc. <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html">Populorum progressio</a> </i>(26 de Mar&ccedil;o de 1967), 14: <i>AAS </i>59 (1967), 264.</p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a> Bento XVI, <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2005/june/documents/hf_ben-xvi_spe_20050606_convegno-famiglia_po.html">Discurso por ocasi&atilde;o da abertura do Congresso eclesial diocesano na Bas&iacute;lica de S&atilde;o Jo&atilde;o de Latr&atilde;o</a> </i>(6 de Junho de 2005): <i>AAS </i>97 (2005), 816.</p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a> Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor&acirc;neo<i> <a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html">Gaudium et spes</a></i>, 16.</p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a> Cf. Bento XVI, <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20110922_reichstag-berlin_po.html">Discurso no Parlamento federal alem&atilde;o</a> </i>(Berlim, 22 de Setembro de 2011): <i>L&rsquo;Osservatore Romano </i>(ed. port. de 24/IX/2011), 4-5.</p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a> Bento XVI, Carta enc. <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html">Caritas in veritate</a> </i>(29 de Junho de 2009), 6:<i> AAS </i>101 (2009), 644-645.</p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a> <i> <a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html">Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica</a></i>, 2304.</p>
<p>
	<a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a> Bento XVI, <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2005/august/documents/hf_ben-xvi_spe_20050820_vigil-wyd_po.html">Homilia durante a vig&iacute;lia com os jovens</a> </i>(Col&oacute;nia, 20 de Agosto de 2005): <i>AAS </i>97 (2005), 885-886.</p>
<p align="left">
	&nbsp;</p>
<p align="center">
	&nbsp;</p>
<p align="center">
	&copy; Copyright 2011 - Libreria Editrice Vaticana</p>
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    <dc:creator>admin</dc:creator>
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  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/holocausto-da-familia">
    <title>Holocausto da família</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/holocausto-da-familia</link>
    <description>João César das Neves - DN 2000.01.31</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>
	<img alt="" src="/actualidade/familia.png/image" style="width: 250px; height: 227px; float: right;" />Os in&iacute;cios do s&eacute;culo XX ficaram marcados por uma luta terr&iacute;vel contra um dos valores civilizacionais mais importantes, a liberdade. O s&eacute;culo XX termina no meio de uma luta terr&iacute;vel contra outro valor civilizacional essencial, a fam&iacute;lia.</p>
<p>
	Em menos de cem anos, dois dos fundamentos mais preciosos da civiliza&ccedil;&atilde;o foram fortemente atacados. A primeira dessas lutas, pela liberdade, teve o seu auge em meados do s&eacute;culo e foi j&aacute;, em grande medida, ganha. A outra, pela fam&iacute;lia, &eacute; a actual, ainda em pleno fragor com resultado incerto. O que est&aacute; em causa, como antes, &eacute; a sobreviv&ecirc;ncia da sociedade livre e equilibrada.</p>
<p>
	No princ&iacute;pio do s&eacute;culo, as ideologias comunista e fascista, na frescura da sua novidade, apregoavam uma alternativa original para o falhado sistema pol&iacute;tico de ent&atilde;o. Nazis e marxistas, desprezando a liberdade, defendiam o poder do Fuhrer, do Duce e a ditadura do proletariado. Inspiradas na pureza da ra&ccedil;a ou na superioridade dos oper&aacute;rios, as novidades tinham em comum desprezar as &quot;democracias&quot; velhas e obsoletas e apregoar o totalitarismo como a salva&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>
	Hoje &eacute; dif&iacute;cil compreender como essas ideias, entretanto derrotadas, foram atraentes e cred&iacute;veis durante tanto tempo. &Eacute; dif&iacute;cil aceitar que a democracia, que conhecemos flex&iacute;vel e din&acirc;mica, pudesse aparecer incapaz e desorientada aos nossos av&oacute;s. Mas assim como n&atilde;o percebemos como &eacute; que tantas comunidades civilizadas cederam aos ataques &agrave; liberdade, daqui a umas d&eacute;cadas tamb&eacute;m ser&aacute; dif&iacute;cil compreender a forma como agora deixamos destruir a fam&iacute;lia.</p>
<p>
	Considerar as terr&iacute;veis tenta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas antigas ajuda-nos a resistir &agrave;s sedu&ccedil;&otilde;es que agora nos dominam. Ali&aacute;s, a semelhan&ccedil;a e o paralelo entre os dois combates &eacute; not&aacute;vel.</p>
<p>
	A primeira semelhan&ccedil;a est&aacute; na dissimula&ccedil;&atilde;o. Se virmos bem, ningu&eacute;m hoje ataca a fam&iacute;lia. O que atacam &eacute; a opress&atilde;o da mulher, a pris&atilde;o cultural do matrim&oacute;nio, o desprezo pela homossexualidade, os problemas do fosso das gera&ccedil;&otilde;es. A solu&ccedil;&atilde;o proposta para esses dramas &eacute; o abandono da fam&iacute;lia chamada &quot;tradicional&quot;, e a promo&ccedil;&atilde;o de novas variantes familiares.</p>
<p>
	Do mesmo modo, os comunistas e os nazis n&atilde;o atacavam a liberdade. O que eles queriam era acabar com a opress&atilde;o dos oper&aacute;rios, a rigidez social antiquada, o desprezo pela ra&ccedil;a ariana, os problemas da desordem social. A solu&ccedil;&atilde;o para esses dramas era o abandono da democracia chamada &quot;tradicional&quot; e a promo&ccedil;&atilde;o de novas variantes sociais. Muitos acreditaram nisso.</p>
<p>
	Era indiscut&iacute;vel ent&atilde;o que quer comunistas quer fascistas tinham raz&atilde;o em muitas das suas cr&iacute;ticas. Mas isso n&atilde;o tornava bons os sistemas extremistas que defendiam. Tamb&eacute;m hoje, os problemas familiares s&atilde;o v&aacute;rios. E devemos preocupar-nos com eles e, sobretudo, com os muitos que sofrem em fam&iacute;lias destro&ccedil;adas.</p>
<p>
	Mas isso n&atilde;o quer dizer que se rejeite a fam&iacute;lia s&oacute; porque algumas t&ecirc;m problemas. N&atilde;o faz sentido, por exemplo, que, para mostrarmos o nosso carinho e apoio pelos cegos, tenhamos de dizer que a vis&atilde;o &eacute; coisa m&aacute;.</p>
<p>
	Os argumentos e os m&eacute;todos usados antes contra a democracia tamb&eacute;m s&atilde;o semelhantes aos que hoje se utilizam contra a fam&iacute;lia. At&eacute; a inspira&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica &eacute; equivalente. Marxistas e hitlerianos consideravam-se defensores da verdadeira natureza humana, libertando-a dos tabus, complexos e inven&ccedil;&otilde;es de mil&eacute;nios de degrada&ccedil;&atilde;o. Diziam eles que a for&ccedil;a e a viol&ecirc;ncia eram naturais ao homem, enquanto o artificialismo dos sistemas democr&aacute;ticos era evidente. Os que hoje defendem o amor livre, o div&oacute;rcio, as uni&otilde;es de facto e a homossexualidade tamb&eacute;m se arrogam a representa&ccedil;&atilde;o da natureza, contra a artificial &quot;fam&iacute;lia tradicional&quot;. A fam&iacute;lia, que existe desde que o mundo &eacute; mundo, n&atilde;o lhes parece ser natural. Quem defende a fidelidade conjugal, o pudor ou a castidade &eacute; desprezado como ing&eacute;nuo e sonhador. Exactamente como os defensores da democracia eram desprezados pelo realismo totalit&aacute;rio do princ&iacute;pio do s&eacute;culo. Hoje muitos pensam que, nos h&aacute;bitos sexuais, a ra&ccedil;a humana &eacute; semelhante aos c&atilde;es. Hitler e Lenine pensavam o mesmo.</p>
<p>
	Quanto aos m&eacute;todos usados, &eacute; dif&iacute;cil ser mais semelhante. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social t&ecirc;m papel privilegiado no combate contra a fam&iacute;lia, tal como com Goebbels e Estaline contra a liberdade. Telenovelas, revistas juvenis, publicidade, reportagens e opini&atilde;o jornal&iacute;stica, filmes e s&eacute;ries apresentam com toda a normalidade o descontrolo sem freio do prazer sexual e recomendam-no como forma de vida. Na televis&atilde;o, o corrente s&atilde;o as &quot;fam&iacute;lias alternativas&quot;; a fam&iacute;lia normal s&oacute; aparece como curiosidade ex&oacute;tica.</p>
<p>
	Se muitos apostam nas campanhas de intoxica&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica contra a fam&iacute;lia, outros preferem os mecanismos legais. Tamb&eacute;m, para matar a democracia, Hitler usou as elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e Lenine os movimentos populares. Hoje utiliza-se o &quot;planeamento familiar&quot; para atacar a fam&iacute;lia, usa-se a &quot;educa&ccedil;&atilde;o sexual&quot; para distorcer os h&aacute;bitos dos jovens, empregam-se as institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de para destruir a vida dos nascituros e os direitos humanos para legalizar o aborto. A ironia perversa n&atilde;o podia ser mais semelhante.</p>
<p>
	O resultado das duas lutas come&ccedil;a tamb&eacute;m a parecer-se. Os ataques &agrave; liberdade criaram o pior mortic&iacute;nio de toda a Hist&oacute;ria, a II Guerra Mundial, e o confronto mais est&uacute;pido de todos os tempos, a guerra fria.</p>
<p>
	A luta contra a fam&iacute;lia ainda est&aacute; longe do seu termo. Mas j&aacute; h&aacute; muitos que comparam as mortes de crian&ccedil;as inocentes nos abortos com o Holocausto e o Gulag.</p>
<p>
	E, por outro lado, tal como o totalitarismo mostrou o valor da liberdade, tamb&eacute;m a instabilidade e o sofrimento causado pelas uni&otilde;es de facto, casais homossexuais, m&atilde;es de aluguer e aborto livre mostram &agrave; evid&ecirc;ncia a sabedoria e o equil&iacute;brio da fam&iacute;lia tradicional.</p>
<p>
	&Eacute; muito dif&iacute;cil encontrar hoje defensores da fam&iacute;lia, tal como no in&iacute;cio do s&eacute;culo havia poucos combatentes da liberdade. O que h&aacute; agora s&atilde;o muitos paladinos da democracia. Foi sempre muito f&aacute;cil combater na guerra que j&aacute; est&aacute; ganha.</p>
<p>
	<em>Jo&atilde;o C&eacute;sar das Neves assina esta coluna &agrave; segunda-feira</em></p>
]]></content:encoded>
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    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    <dc:date>2011-12-30T12:05:00Z</dc:date>
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  </item>


  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/mensagem-de-natal">
    <title>Mensagem de Natal</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/mensagem-de-natal</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>
	<img alt="" src="/actualidade/2011-12-23-presepio.jpg/image" style="width: 600px; height: 549px; float: right;" /></p>
<p>
	Os povos antigos celebravam no final de Dezembro o in&iacute;cio do Inverno, o nascimento do sol. Os crist&atilde;os, n&atilde;o sabendo o dia em que Jesus nasceu e considerando-O a Ele a grande luz das suas vidas, escolheram esse dia para celebrar o seu nascimento. &Eacute; assim h&aacute; quase 2000 anos!</p>
<p>
	O dia de Natal &eacute; dos mais bonitos do ano e poucas ser&atilde;o as pessoas na nossa sociedade que n&atilde;o se deixem tocar pelo ambiente natal&iacute;cio. As crian&ccedil;as deliram com as prendas e os adultos olham-se com mais ternura&hellip;</p>
<p>
	&Eacute; um dia especial em que se vive uma alegria que n&atilde;o &eacute; motivada apenas pelas prendas, pelas montras enfeitadas, pelas luzes nas ruas, pelos doces nas mesas, mas por uma mensagem que paira no ar, mesmo para aquelas pessoas que n&atilde;o assumem a f&eacute; no Cristo que nasceu.</p>
<p>
	A verdade &eacute; que o nascimento desse Menino Jesus n&atilde;o deixa ningu&eacute;m indiferente, seja pelo quadro da simplicidade do pres&eacute;pio em que nasceu, seja por acreditar que esse menino era Deus.</p>
<p>
	Nem todas as pessoas vivem o Natal da mesma forma. Para umas ser&aacute; apenas um dia em que se praticam certas rotinas anuais, um dia de tr&eacute;guas e de amnistia; mas para outras &eacute; um dia inspirador dos outros dias do ano e um desafio a descobrir mais essa luz divina.</p>
<p>
	A Igreja n&atilde;o celebra o Natal de Jesus apenas num dia, mas durante pelo menos 3 semanas, porque &eacute; importante demais para passar t&atilde;o depressa.</p>
<p>
	Cada Natal &eacute; diferente, porque a nossa vida muda de ano para ano e porque &agrave; nossa volta os outros tamb&eacute;m n&atilde;o se encontram sempre na mesma.</p>
<p>
	Como nos encontramos este ano? Receptivos &agrave; mensagem do amor que o Natal de Jesus nos transmite? Dispostos a acolher Deus na nossa vida? Ou voltaremos a dizer que n&atilde;o temos espa&ccedil;o para Ele e que procure outro lugar para nascer?</p>
<p>
	E as pessoas que nos rodeiam, como est&atilde;o neste Natal? N&atilde;o nos esque&ccedil;amos de olhar &agrave; nossa volta. Haver&aacute; pessoas a precisar de ser acolhidas, a precisar de ajuda, a precisar de amor? H&aacute; muito tempo que n&atilde;o se falava tanto de crise como este ano que est&aacute; a terminar. Fala-se de crise econ&oacute;mica. E ela est&aacute; a&iacute;! H&aacute; mais desempregados, h&aacute; mais fam&iacute;lias com car&ecirc;ncia de bens essenciais, que n&atilde;o conseguem suportar as despesas&hellip;<br />
	Mas h&aacute; outras crises de que n&atilde;o se fala tanto: a crise de valores, a crise de solidariedade, a crise da fam&iacute;lia, a crise da f&eacute;&hellip;</p>
<p>
	Precisamos anunciar o Natal de Jesus a prop&oacute;sito de todas essas crises: O Deus que nasceu no Pres&eacute;pio veio para dar luz a todas as situa&ccedil;&otilde;es humanas, come&ccedil;ando precisamente a&iacute;, numa situa&ccedil;&atilde;o de crise, na pobreza da gruta de Bel&eacute;m, rejeitado por muitos, mas descoberto e acolhido pelos pobres pastores e pelos misteriosos magos do Oriente.</p>
<p>
	Muitos continuar&atilde;o a rejeitar a vinda de Jesus, mas os que tiverem um cora&ccedil;&atilde;o simples e os que procuram a verdade, tamb&eacute;m continuar&atilde;o a acolh&ecirc;-l&#39;O em pleno s&eacute;culo XXI.</p>
<p>
	Neste dia do Natal de Jesus quero fazer uma sauda&ccedil;&atilde;o particular aos doentes e aos idosos que t&ecirc;m um lugar especial no Cora&ccedil;&atilde;o de Deus. A mensagem do Natal tem para eles um significado mais sentido, de f&eacute; e de esperan&ccedil;a na salva&ccedil;&atilde;o de tudo o que os atormenta e preocupa.<br />
	A todos os paroquianos desejo um santo Natal de Jesus, porque sem Jesus n&atilde;o ser&aacute; Natal!</p>
<p style="text-align: right;">
	<em>O P&aacute;roco, Padre Armindo Reis</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<hr />
<p style="text-align: center;">
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<span style="font-size: 72px;"><span style="font-family: Comic Sans MS,cursive;">Boas Festas!</span></span></p>
<p style="text-align: center;">
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<span style="font-size: 28px;"><span style="font-family: Comic Sans MS,cursive;">A Equipa Pastoral da Par&oacute;quia da Benedita deseja a todos os paroquianos um santo Natal!</span></span></p>
<p style="text-align: center;">
	<span style="font-size: 22px;"><em><span style="font-family: Comic Sans MS,cursive;">Pe. Armindo, Pe. Jorge, Di&aacute;c. Jos&eacute; Freire</span></em></span><br />
	&nbsp;</p>
<hr />
]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    <dc:date>2011-12-23T22:20:00Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/201ca-accao-de-deus-em-favor-do-seu-povo-e-o-fundamento-da-esperanca201d">
    <title>“A acção de Deus em favor do seu Povo é o fundamento da Esperança” </title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/201ca-accao-de-deus-em-favor-do-seu-povo-e-o-fundamento-da-esperanca201d</link>
    <description>Homilia no 1º Domingo do Advento. Ordenações de Diáconos. Mosteiro dos Jerónimos, 27 de Novembro de 2011</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>
	<img alt="" src="/actualidade/coroa02-advento.jpg/image" style="width: 466px; height: 325px; float: right;" />1. Hoje iniciamos o tempo lit&uacute;rgico do Advento, profundamente marcado pela virtude da esperan&ccedil;a. Valor essencial de toda a vida crist&atilde;, a nossa sociedade vive tempos em que &eacute; urgente cultivar a esperan&ccedil;a, anunci&aacute;-la atrav&eacute;s do testemunho daqueles que confiam que se Deus est&aacute; connosco, estamos salvos. Desta esperan&ccedil;a que encontra o seu fundamento na presen&ccedil;a de Deus no meio de n&oacute;s s&oacute; os crentes podem ser testemunhas. Esta dimens&atilde;o sobrenatural n&atilde;o anula a esperan&ccedil;a humana, antes ajuda os homens a encontrarem o verdadeiro fundamento da sua confian&ccedil;a.</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	&Eacute; por isso que o Advento &eacute; um tempo lit&uacute;rgico marcado pela esperan&ccedil;a. Celebramos a definitiva presen&ccedil;a salv&iacute;fica de Deus a agir no meio do seu Povo e no cora&ccedil;&atilde;o dos homens, em Jesus Cristo, Deus incarnado que nos redime e atrav&eacute;s do dom do Esp&iacute;rito Santo nos inspira a viver todas as realidades humanas com nobreza e grandeza. Cristo &eacute;, continua a ser, Deus a agir no meio do seu Povo, com a for&ccedil;a da sua P&aacute;scoa, com o seu amor de Bom Pastor, com a luz do Esp&iacute;rito Santo, com a promessa da sua &uacute;ltima manifesta&ccedil;&atilde;o para a transforma&ccedil;&atilde;o definitiva da hist&oacute;ria. O Advento &eacute; um tempo abrangente de todas as etapas da esperan&ccedil;a: dos que esperaram, longamente, a vinda do Messias; dos que acreditam que Jesus &eacute; Deus no meio de n&oacute;s, no &acirc;mago da nossa hist&oacute;ria; dos que esperam continuamente que Deus se lhes manifeste; dos que aguardam a &uacute;ltima vinda do Senhor, para salvar definitivamente a humanidade.</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	&nbsp;</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	2. Perante a necessidade de reden&ccedil;&atilde;o do Povo de Israel o Profeta Isa&iacute;as pede que Deus des&ccedil;a do C&eacute;u e Se manifeste no meio do seu Povo: &ldquo;Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa heran&ccedil;a. Oh, se rasg&aacute;sseis os c&eacute;us e desc&ecirc;sseis! Ante a Vossa face estremeceriam os montes!&rdquo; (Is. 63,19).</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	Perante a realidade da nossa sociedade, n&oacute;s os crentes que sabemos que s&oacute; com a ac&ccedil;&atilde;o de Deus a humanidade se transformar&aacute;, apetece-nos clamar como o Profeta: descei, Senhor, l&aacute; do alto dos c&eacute;us, sede Deus connosco, mostrai a vossa for&ccedil;a transformadora, porque &ldquo;nosso Pai e nosso Redentor, &eacute; desde sempre o Vosso Nome&rdquo; (Is. 63,16). Mas o mesmo Profeta d&aacute; a resposta a essa nossa prece: &ldquo;Mas V&oacute;s descestes&hellip; V&oacute;s sa&iacute;s ao encontro dos que praticam a justi&ccedil;a e recordam os vossos caminhos&rdquo; (Is. 64,4). Esta certeza de que Deus j&aacute; desceu e veio ao nosso encontro no seu Filho Jesus Cristo &eacute; o centro da nossa f&eacute;, o fundamento da nossa esperan&ccedil;a. &Eacute; esta certeza de f&eacute; que a Igreja recorda no Advento. Em Jesus Cristo, Deus revelou-Se, definitivamente, como Deus connosco, a agir no dia-a-dia da nossa realidade. Ao comunicar-nos o Esp&iacute;rito Santo revelou-nos que a for&ccedil;a que pode transformar os homens &eacute; o seu amor, &eacute; o nosso amor uns pelos outros, que encontra a sua fonte, n&atilde;o apenas na for&ccedil;a da natureza, mas no amor de Deus, Ele que nos amou primeiro.</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	Esta certeza de f&eacute;, que &eacute; experi&ecirc;ncia de salva&ccedil;&atilde;o, &eacute; proclamada por Paulo na sua primeira Carta aos Cor&iacute;ntios: &ldquo;Dou gra&ccedil;as a Deus a vosso respeito pela gra&ccedil;a divina que nos foi dada em Cristo Jesus. Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; e, deste modo, tornou-se firme em v&oacute;s o testemunho de Cristo. De facto, j&aacute; n&atilde;o vos falta nenhum dom da gra&ccedil;a&rdquo; (1Cor. 1,4-7).</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	&nbsp;</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	3. Se j&aacute; n&atilde;o nos falta nenhum dom da gra&ccedil;a, ent&atilde;o o que &eacute; que nos falta para sentirmos a ac&ccedil;&atilde;o de Deus, para vermos, hoje, a salva&ccedil;&atilde;o a acontecer? A abertura do cora&ccedil;&atilde;o dos crentes a este dom de Deus, que &eacute; Jesus Cristo, o Deus connosco. Temos de escutar a sua Palavra como express&atilde;o do que nos quer dizer em cada momento; temos de nos deixar invadir pelo Seu amor, acreditando que s&oacute; o amor transforma o mundo; seguirmos os caminhos da gra&ccedil;a de que Ele dotou a sua Igreja; termos a simplicidade de travarmos as nossas lutas e percorrer os caminhos da vida, na simplicidade dos gestos sacramentais; deixarmos que Ele nos transforme, para podermos confiar que Ele transformar&aacute; o mundo. Ele j&aacute; veio e n&atilde;o est&aacute; ausente dos caminhos dos homens; n&oacute;s &eacute; que nos afastamos d&rsquo;Ele.</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	A esperan&ccedil;a depende da fidelidade dos crist&atilde;os, da sua busca da santidade. Nem sempre percebemos como &eacute; que a transforma&ccedil;&atilde;o que Ele realiza em n&oacute;s, se repercute na transforma&ccedil;&atilde;o do mundo. Mas Ele sabe. Uma coisa &eacute; certa: Ele quer uma Igreja Santa, que seja fermento na massa, ou, na express&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II, sacramento de salva&ccedil;&atilde;o. O advento s&oacute; ser&aacute; tempo de esperan&ccedil;a se aprofundar, em n&oacute;s, o ardor da santidade. Nesse ardor entrecruzam-se todos os grandes desafios que o Santo Padre nos lan&ccedil;a: Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o, Ano da F&eacute;, anivers&aacute;rio do Conc&iacute;lio.</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	&nbsp;</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	4. Esta certeza de que o Senhor n&atilde;o est&aacute; ausente, exprime-se, hoje, nesta celebra&ccedil;&atilde;o, na administra&ccedil;&atilde;o do sacramento da Ordem, a di&aacute;conos que daqui a meses ser&atilde;o presb&iacute;teros. Este sacramento &eacute; uma experi&ecirc;ncia maravilhosa de que Deus age, n&atilde;o de forma m&iacute;tica, mas transformando os homens, dando-lhes o poder de agirem com a for&ccedil;a de Deus, de serem a express&atilde;o vis&iacute;vel e sens&iacute;vel de que Deus n&atilde;o abandonou o seu Povo.</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	Maria foi a primeira criatura a deixar-se transformar completamente pela ac&ccedil;&atilde;o de Deus. Ela continua a ser a express&atilde;o viva da presen&ccedil;a de Deus no mundo. Continua a entregar-nos o Seu Filho Jesus. E se na sua vida pessoal ela participa da intimidade do amor trinit&aacute;rio, como instrumento de salva&ccedil;&atilde;o, continua a atrair-nos com a for&ccedil;a do amor de Deus. Rainha do Advento, porque &eacute;, realmente, est&iacute;mulo da nossa esperan&ccedil;a e causa da nossa alegria.</p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	<img alt="" src="/actualidade/patriarcalisboa.jpg/image" style="width: 295px; height: 159px; float: right;" /></p>
<p style="sem_validade: 150%;">
	&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca</p>
]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    <dc:date>2011-11-29T22:55:00Z</dc:date>
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  </item>


  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/silenciosamente">
    <title>Silenciosamente</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/silenciosamente</link>
    <description>02 Novembro 2011 | BagãoFélix - in Jornal de Negócios | Economista e ex-ministro das Finanças</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>
	<img alt="" src="/actualidade/bagao-felix.jpg/image" style="width: 133px; height: 173px; float: right;" />Entre d&eacute;fices e d&iacute;vidas, pouco se fala do que ser&aacute;, porventura, o maior d&eacute;fice que germina lentamente: o de natalidade. Dele resultar&aacute; um dos maiores problemas que legaremos aos vindouros: a insustentabilidade do actual modelo social p&uacute;blico. Pelo menos, com razoabilidade de custos e equidade.<br />
	Foram agora conhecidos n&uacute;meros que, em condi&ccedil;&otilde;es desej&aacute;veis, teriam levantado reflex&otilde;es e propostas. Refiro-me aos dados mundiais sobre a taxa de fecundidade da mulher. Portugal ocupa a pen&uacute;ltima posi&ccedil;&atilde;o: 1,3 filhos por mulher. Em todo o mundo, pior s&oacute; a B&oacute;snia! Um valor igual a 62% do necess&aacute;rio para o equil&iacute;brio geracional (2,1 filhos). Um &iacute;ndice que, h&aacute; 40 anos, chegava aos 3 filhos.<br />
	Esta vertigem s&oacute; tem sido atenuada pela not&aacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil que n&atilde;o chega agora &agrave;s 3 crian&ccedil;as por mil (no 1&ordm; ano de vida), quando h&aacute; 40 anos atingia 55 nado-vivos!<br />
	Se ao d&eacute;fice de natalidade (nascem 100.000 crian&ccedil;as quando precisar&iacute;amos, no m&iacute;nimo, de 160.000), juntarmos o progresso assinal&aacute;vel da esperan&ccedil;a de vida, constatamos o r&aacute;pido envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o: em 1970 havia 34 pessoas com mais de 65 anos de idade por cada 100 crian&ccedil;as e jovens. Agora aproximamo-nos de 120 velhos por cada 100 crian&ccedil;as! As escolas fecham e os lares n&atilde;o chegam<br />
	O Estado Social s&oacute; sobreviver&aacute; com uma primavera demogr&aacute;fica. Reduzir abonos, agravar custos de sa&uacute;de infantil, eliminar dedu&ccedil;&otilde;es fiscais de educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um sinal errado.<br />
	H&aacute; pa&iacute;ses com uma boa evolu&ccedil;&atilde;o em resultado de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de apoio &agrave; natalidade: a Holanda e os pa&iacute;ses n&oacute;rdicos, al&eacute;m da Irlanda que &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s da UE que rep&otilde;e as gera&ccedil;&otilde;es. N&oacute;s por c&aacute; andamos mais entretidos com a espuma do dia e a promo&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas anti-natalistas.<br />
	Entretanto, a amea&ccedil;a avan&ccedil;a. Silenciosamente .</p>
]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
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    <dc:date>2011-11-03T19:30:00Z</dc:date>
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  </item>


  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/mensagem-do-papa-bento-xvi-para-o-dia-missionario-mundial-2011-23-de-outubro">
    <title>MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL 2011 (23 de Outubro)</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/mensagem-do-papa-bento-xvi-para-o-dia-missionario-mundial-2011-23-de-outubro</link>
    <description>«Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21)</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>
	<img alt="" src="/actualidade/PapaBentoXVI.jpg/image" style="width: 305px; height: 480px; float: left; margin: 10px 20px;" />Por ocasi&atilde;o do <a href="http://www.vatican.va/jubilee_2000/index_po.htm">Jubileu do Ano 2000</a>, o Vener&aacute;vel <a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm">Jo&atilde;o Paulo II</a>, no in&iacute;cio de um novo mil&eacute;nio da era crist&atilde;, afirmou com for&ccedil;a a necessidade de renovar o empenho de levar a todos o an&uacute;ncio do Evangelho &laquo;com o mesmo entusiasmo dos crist&atilde;os da primeira hora&raquo; (Carta ap.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_letters/documents/hf_jp-ii_apl_20010106_novo-millennio-ineunte_po.html"> <i>Novo millennio ineunte</i></a><i>, </i>58). &Eacute; o servi&ccedil;o mais precioso que a Igreja pode prestar &agrave; humanidade e a cada pessoa que est&aacute; em busca das raz&otilde;es profundas para viver em plenitude a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia. Por isso, o mesmo convite ressoa todos os anos na celebra&ccedil;&atilde;o do Dia Mission&aacute;rio Mundial. Com efeito, o an&uacute;ncio incessante do Evangelho vivifica tamb&eacute;m a Igreja, o seu fervor, o seu esp&iacute;rito apost&oacute;lico, renova os seus m&eacute;todos pastorais a fim de que sejam cada vez mais apropriados &agrave;s novas situa&ccedil;&otilde;es &mdash; inclusive as que exigem uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o &mdash; e animados pelo impulso mission&aacute;rio: &laquo;A miss&atilde;o renova a Igreja, revigora a sua f&eacute; e identidade crist&atilde;s, d&aacute;-lhe novo entusiasmo e novas motiva&ccedil;&otilde;es. &Eacute; dando a f&eacute; que ela se fortalece! A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o dos povos crist&atilde;os tamb&eacute;m encontrar&aacute; inspira&ccedil;&atilde;o e apoio, no empenho pela miss&atilde;o universal&raquo; (Jo&atilde;o Paulo II, Enc. <i> <a href="http://www.vatican.va/edocs/POR0071/_INDEX.HTM">Redemptoris missio</a>, </i>2).</p>
<p>
	<em>Ide e anunciai</em></p>
<p>
	Este objectivo reaviva-se continuamente atrav&eacute;s da celebra&ccedil;&atilde;o da liturgia, em especial da Eucaristia, que se conclui sempre evocando o mandato de Jesus ressuscitado aos Ap&oacute;stolos: &laquo;Ide...&raquo; (<i>Mt</i> 28, 19). A liturgia &eacute; sempre uma chamada &laquo;do mundo&raquo; e um novo in&iacute;cio &laquo;no mundo&raquo; para testemunhar o que se experimentou: o poder salv&iacute;fico da Palavra de Deus, o poder salv&iacute;fico do Mist&eacute;rio pascal de Cristo. Todos aqueles que encontraram o Senhor ressuscitado sentiram a necessidade de O anunciar aos outros, como fizeram os dois disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s. Eles, depois de ter reconhecido o Senhor ao partir o p&atilde;o, &laquo;partiram imediatamente, voltaram para Jerusal&eacute;m e encontraram reunidos os onze&raquo; e contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho (<i>Lc </i>24, 33-35). O Papa <a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm">Jo&atilde;o Paulo II</a> exortava a estarmos &laquo;vigilantes e prontos para reconhecer o seu rosto e correr a levar aos nossos irm&atilde;os o grande an&uacute;ncio: &ldquo;Vimos o Senhor&rdquo;!&raquo; (Carta ap.<a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_letters/documents/hf_jp-ii_apl_20010106_novo-millennio-ineunte_po.html">&nbsp;<i>Novo millennio ineunte</i></a><i>, </i>59).</p>
<p>
	<em>A todos</em></p>
<p>
	Todos os povos s&atilde;o destinat&aacute;rios do an&uacute;ncio do Evangelho. A Igreja &laquo;por sua natureza &eacute; mission&aacute;ria, visto que, segundo o des&iacute;gnio de Deus Pai, tem a sua origem na miss&atilde;o do Filho e na miss&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo&raquo; (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. <i> <a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651207_ad-gentes_po.html">Ad gentes</a>, </i>2). Esta &eacute; &laquo;a gra&ccedil;a e a voca&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar&raquo; (Paulo vi, Exort. ap. <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_exhortations/documents/hf_p-vi_exh_19751208_evangelii-nuntiandi_po.html">Evangelii nutiandi</a>, </i>14). Consequentemente, nunca pode fechar-se em si mesma. Enra&iacute;za-se em determinados lugares para ir al&eacute;m. A sua ac&ccedil;&atilde;o, em ades&atilde;o &agrave; palavra de Cristo e sob a influ&ecirc;ncia da sua gra&ccedil;a e caridade, faz-se plena e actualmente presente a todos os homens e a todos os povos para os conduzir rumo &agrave; f&eacute; em Cristo (cf. <i> <a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651207_ad-gentes_po.html">Ad gentes</a>, </i>5).</p>
<p>
	Esta tarefa n&atilde;o perdeu a sua urg&ecirc;ncia. Ali&aacute;s, &laquo;a miss&atilde;o de Cristo Redentor, confiada &agrave; Igreja, ainda est&aacute; bem longe do seu pleno cumprimento... uma vis&atilde;o de conjunto da humanidade mostra que tal miss&atilde;o ainda est&aacute; no come&ccedil;o e que devemos empenhar-nos com todas as for&ccedil;as no seu servi&ccedil;o&raquo; (Jo&atilde;o Paulo II, Enc. <i> <a href="http://www.vatican.va/edocs/POR0071/_INDEX.HTM">Redemptoris missio</a>, </i>1). N&atilde;o podemos permanecer tranquilos com o pensamento de que, depois de dois mil anos, ainda existam povos que n&atilde;o conhecem Cristo e ainda n&atilde;o ouviram a sua Mensagem de salva&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>
	N&atilde;o s&oacute; mas aumenta o n&uacute;mero daqueles que, embora tendo recebido o an&uacute;ncio do Evangelho, o esqueceram e abandonaram, j&aacute; n&atilde;o se reconhecem na Igreja; e muitos &acirc;mbitos, inclusive em sociedades tradicionalmente crist&atilde;s, hoje s&atilde;o refrat&aacute;rios a abrirem-se &agrave; palavra da f&eacute;. Est&aacute; em acto uma mudan&ccedil;a cultural, alimentada tamb&eacute;m pela globaliza&ccedil;&atilde;o, de movimentos de pensamento e de relativismo imperante, uma mudan&ccedil;a que leva a uma mentalidade e a um estilo de vida que prescindem da Mensagem evang&eacute;lica, como se Deus n&atilde;o existisse e exaltam a busca do bem-estar, do lucro f&aacute;cil, da carreira e do sucesso como finalidade da vida, inclusive em detrimento dos valores morais.</p>
<p>
	<em>Co-responsabilidade de todos</em></p>
<p>
	A miss&atilde;o universal envolve todos, tudo e sempre. O Evangelho n&atilde;o &eacute; um bem exclusivo de quem o recebeu, mas &eacute; um dom a partilhar, uma boa not&iacute;cia a comunicar. E este dom-empenho est&aacute; confiado n&atilde;o s&oacute; a algumas pessoas, mas a todos os baptizados, os quais s&atilde;o &laquo;ra&ccedil;a eleita... na&ccedil;&atilde;o santa, povo adquirido&raquo; (<i>1 Pd </i>2, 9), para que proclame as suas obras maravilhosas.</p>
<p>
	Est&atilde;o envolvidas tamb&eacute;m todas as suas actividades. A aten&ccedil;&atilde;o e a coopera&ccedil;&atilde;o na obra evangelizadora da Igreja no mundo n&atilde;o podem ser limitadas a alguns momentos ou ocasi&otilde;es particulares, e nem devem ser consideradas como uma das tantas actividades pastorais: a dimens&atilde;o mission&aacute;ria da Igreja &eacute; essencial e, portanto, deve estar sempre presente. &Eacute; importante que tanto cada baptizado como as comunidades eclesiais se interessem pela miss&atilde;o n&atilde;o de modo espor&aacute;dico e irregular, mas de maneira constante, como forma de vida crist&atilde;. O pr&oacute;prio Dia Mission&aacute;rio n&atilde;o &eacute; um momento isolado no decorrer do ano, mas uma ocasi&atilde;o preciosa para nos determos e reflectirmos se e como correspondemos &agrave; voca&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria; uma resposta essencial para a vida da Igreja.</p>
<p>
	<em>Evangeliza&ccedil;&atilde;o global</em></p>
<p>
	A evangeliza&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo complexo e inclui v&aacute;rios elementos. Entre estes, uma aten&ccedil;&atilde;o peculiar da parte da anima&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria sempre foi dada &agrave; solidariedade. Este &eacute; tamb&eacute;m um dos objectivos do Dia Mission&aacute;rio Mundial que, atrav&eacute;s das Pontif&iacute;cias Obras Mission&aacute;rias, solicita a ajuda para a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas de evangeliza&ccedil;&atilde;o nos territ&oacute;rios de miss&atilde;o. Trata-se de apoiar institui&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para estabelecer e consolidar a Igreja mediante os catequistas, os semin&aacute;rios, os sacerdotes; e tamb&eacute;m de oferecer a pr&oacute;pria contribui&ccedil;&atilde;o para o melhoramento das condi&ccedil;&otilde;es de vida das pessoas em pa&iacute;ses nos quais s&atilde;o mais graves os fen&oacute;menos de pobreza, subalimenta&ccedil;&atilde;o sobretudo infantil, doen&ccedil;as, car&ecirc;ncia de servi&ccedil;os m&eacute;dicos e para a instru&ccedil;&atilde;o. Isto tamb&eacute;m faz parte da miss&atilde;o da Igreja. Anunciando o Evangelho, ela toma a peito a vida humana em sentido pleno. N&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel, afirmava o Servo de Deus <a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/index_po.htm">Paulo VI</a>, que na evangeliza&ccedil;&atilde;o se descuidem os temas relativos &agrave; promo&ccedil;&atilde;o humana, &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o de todas as formas de opress&atilde;o, obviamente no respeito pela autonomia da esfera pol&iacute;tica. N&atilde;o se interessar pelos problemas temporais da humanidade significaria &laquo;esquecer a li&ccedil;&atilde;o que vem do Evangelho sobre o amor ao pr&oacute;ximo que sofre e est&aacute; em necessidade&raquo; (cf. Exort. ap. <i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_exhortations/documents/hf_p-vi_exh_19751208_evangelii-nuntiandi_po.html">Evangelii nuntiandi</a>, </i>31.34); n&atilde;o estaria em sintonia com o comportamento de Jesus, o qual &laquo;percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino e curando todas as enfermidades e doen&ccedil;as&raquo; (<i>Mt </i>9, 35).</p>
<p>
	Assim, atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o co-respons&aacute;vel na miss&atilde;o da Igreja, o crist&atilde;o torna-se construtor da comunh&atilde;o, da paz, da solidariedade que Cristo nos concedeu, e colabora para a realiza&ccedil;&atilde;o do plano salv&iacute;fico de Deus para toda a humanidade. Os desafios que ela encontra chamam os crist&atilde;os a caminhar juntamente com os outros, e a miss&atilde;o faz parte integrante deste caminho com todos. Nela conservamos, embora em vasos de barro, a nossa voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, o tesouro inestim&aacute;vel do Evangelho, o testemunho vivo de Jesus morto e ressuscitado, encontrado e acreditado na Igreja.</p>
<p>
	O Dia Mission&aacute;rio reavive em cada um o desejo e a alegria de &laquo;ir&raquo; ao encontro da humanidade levando Cristo a todos. Em seu nome concedo-vos de cora&ccedil;&atilde;o a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica, em particular &agrave;queles que mais trabalham e sofrem pelo Evangelho.</p>
<p>
	<em>Vaticano, 6 de Janeiro de 2011, Solenidade da Epifania do Senhor.</em></p>
<p>
	<i>&nbsp;</i></p>
<p align="center">
	<b>BENEDICTUS PP. XVI</b></p>
<p align="center">
	&nbsp;</p>
<p align="center">
	&copy; Copyright 2011 - Libreria Editrice Vaticana</p>
]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
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    <dc:date>2011-10-22T11:45:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/mensagem-do-cardeal-patriarca-para-a-quaresma-de-2011">
    <title>Mensagem do Cardeal Patriarca para a Quaresma de 2011</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/mensagem-do-cardeal-patriarca-para-a-quaresma-de-2011</link>
    <description>"Sigamos o Senhor, a caminho da Nova Jerusalém"</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img align="right" alt="" src="/actualidade/patriarcalisboa.jpg" style="width: 291px; height: 157px;" />1. O Santo Padre Bento XVI, na sua Mensagem para a Quaresma deste ano, diz que a Quaresma é &ldquo;tempo litúrgico muito precioso e importante (&hellip;) Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para aurir com mais abundância do mistério da redenção, a vida nova em Cristo Senhor&rdquo;.<br />Nesta primeira Quaresma depois da visita do Santo Padre à Igreja de Lisboa, vivamo-la em comunhão com ele, guiados pela sua palavra. Antes de mais, por esta sua Mensagem para a Quaresma, que nos ajuda a percorrer o caminho proposto pela Liturgia, para a vivência actualizada do nosso baptismo; depois, a Exortação Apostólica Post-Sinodal &ldquo;Verbum Domini&rdquo; que nos ensina a escutar a Palavra que o Senhor dirige hoje à sua Igreja. Na nossa caminhada, continuamos guiados pela sua Palavra; e, finalmente, o segundo volume da sua obra &ldquo;Jesus de Nazaré&rdquo;, que por vontade do Papa, será apresentado pelos Bispos às suas Igrejas diocesanas, antes do primeiro Domingo da Quaresma. Esta orientação encerra uma proposta: que todos os que puderem se apoiem na sua leitura, para a caminhada quaresmal deste ano, até à Páscoa. De facto, neste 2&ordm; volume, Bento XVI apresenta-nos a caminhada do Jesus real, desde a sua entrada em Jerusalém até à ressurreição. Quem O aclama como Messias, na sua entrada em Jerusalém, não são os habitantes da cidade, mas os peregrinos que se juntam a Ele, a caminho da Cidade Santa. Este grupo de discípulos e simpatizantes, que a pouco e pouco se vão tornando multidão, anunciam um outro povo de peregrinos que, depois da sua ressurreição, O hão-de seguir como discípulos. Esta segunda peregrinação começou, para cada um de nós, no nosso baptismo. A Mensagem do Papa di-lo: &ldquo;esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso baptismo, quando, tendo-nos tornado participantes da morte e ressurreição de Cristo, iniciou para nós a aventura jubilosa e exaltante do discípulo&rdquo;. É neste segundo povo de peregrinos que a Igreja se insere de cada vez que celebra a Páscoa. Estes dois grupos de seguidores de Jesus não se excluem mutuamente, mas fundem-se um no outro. Se é verdade que a nossa peregrinação começou na ressurreição do Senhor, em que participamos pelo baptismo, é também verdade que somos chamados a viver como o primeiro grupo de peregrinos, a dureza da Cruz, a tristeza da negação e do abandono, a dificuldade de continuar a ser discípulo, o que só é possível com a força do Espírito Santo de Deus. Porque estes dois grupos são um só, continuamos a considerá-los como caminheiros connosco, à procura da vida, os que desanimaram, os que ainda não deram o salto da fé no ressuscitado, os que ainda não perceberam o horizonte da eternidade e continuam demasiadamente voltados para as realidades do mundo, mesmo aqueles que negaram o Senhor. Todos, somos um único Povo de peregrinos a caminho da nova Jerusalém.</p><h3>Conduzidos pela Palavra</h3><p>2. Tomemos a sério a palavra do Papa: &ldquo;para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa, o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus?&rdquo; E ele próprio sugere como: meditar a Palavra da Liturgia nos cinco domingos da Quaresma deste ano.<br />Temos uma abundância de meios para nos conduzir nesta escuta da Palavra. É preciso acolhê-la como Palavra do Senhor, dita agora, a toda a Igreja, seu Povo, e a cada um de nós. Os Párocos e seus colaboradores são chamados a garantir que a Palavra de Deus seja realmente proclamada. Que por defeito da acção litúrgica, ninguém fique sem ser interpelado pela Palavra viva do Senhor.<br />Procuremos na Palavra de Deus o sentido e a força para as expressões tradicionais da caminhada quaresmal: o jejum, a esmola, a oração. &ldquo;A Quaresma educa para viver de modo mais radical o amor de Cristo&rdquo;.<br />O jejum &ldquo;ajuda-nos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor&rdquo;. Também a esmola, acentuando a beleza da partilha, ajuda-nos a vencer a tentação da avidez das coisas materiais e a dar mais lugar ao amor. Vivamos estas práticas assumindo a exigência da partilha no momento particularmente difícil da nossa sociedade. A nossa Diocese continuará fiel à já longa tradição da &ldquo;Renúncia Quaresmal&rdquo;, que destinaremos, mais uma vez, à ajuda da Igreja de Lisboa a outras Igrejas mais pobres e a necessidades particularmente gritantes no seio da nossa Igreja diocesana. No momento em que um sacerdote de Lisboa, o P. Ildo Augusto dos Santos Fortes, foi nomeado Bispo da Diocese do Mindelo, em Cabo-Verde, as necessidades dessa Igreja terão um lugar privilegiado no nosso coração e na nossa generosidade.<br />A oração: rezemos, escutando a Palavra do Senhor. Escutemos o Santo Padre: &ldquo;em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos, com particular abundância, a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do baptismo&rdquo;.<br />Desafio as nossas comunidades a intensificarem a oração, a partir da Palavra de Deus. Para os sacerdotes, pastores da nossa Igreja, esta é uma prioridade.</p><h3>O desafio da santidade</h3><p>3. Seguir Jesus, na radicalidade da sua Páscoa, leva a assumir e a cultivar o desejo de santidade. O ideal da santidade atravessa toda a caminhada histórica do Povo de Deus. E o amor de Deus, tornado mais próximo de nós no amor de Jesus Cristo, é a sua fonte inspiradora. Quem se sente amado com a ternura transformadora de Deus, deseja amar como Deus ama, retribuir a Deus o seu amor e amar os irmãos como Deus os ama. O próprio Deus desafia o seu Povo a este grau radical da santidade: &ldquo;Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou Santo&rdquo; (Lev. 19.2). Aqueles que, na sua vida, deram o testemunho vivo desta radicalidade do amor, a quem por isso chamamos &ldquo;santos&rdquo;, são para nós um modelo e um estímulo. Todos podemos ser santos.<br />Este ano temos a alegria de celebrar, em Lisboa, a beatificação de uma cristã, nascida na Amadora: Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque, que em religião tomou o nome de Maria Clara do Menino Jesus. A sua radicalidade de amor é uma resposta vivida a situações concretas da nossa sociedade de então, a Lisboa de finais do séc. XIX, repleta de pobres e marginalizados. O seu ideal é não só mitigar-lhes o sofrimento mas restituir-lhes a dignidade de pessoas amadas por Deus. Nos pobres ela encontra Deus, pois só a Deus devemos amar. &ldquo;Amemos a Deus e só a Deus&rdquo;, escrevia ela às suas irmãs. Cristo é a fonte do seu amor. &ldquo;Queria que a presença humilde e contínua de Cristo no Tabernáculo despertasse em cada coração o sentimento de louvor e de acção de graças que Lhe é devido; e que a mera presença d&rsquo;Aquele que fica connosco fosse configurando a vida em hospitalidade, à imagem de Deus-Amor, sempre disposto a acolher aqueles que O buscam e d&rsquo;Ele se aproximam&rdquo;. A fonte do seu amor é Jesus Cristo, o alvo do seu amor são os pobres, que ama com o amor de Jesus Cristo.<br />Depressa comunicou este amor a outras jovens e fundou a Congregação das Franciscanas Hospitaleiras do Imaculado Coração, hoje presentes em 14 países. É que o seu lema era &ldquo;onde houver o bem a fazer, que se faça&rdquo;.<br />Ao beatificá-la, a Igreja propõe-no-la como modelo. Porque nasceu na nossa Cidade &ndash; a Quinta do Bosque da Amadora (hoje Falagueira), pertencia, nessa altura, à Paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica &ndash; ela convida a Igreja de Lisboa a caminhar na santidade. Festa da Congregação que fundou, ela é também festa de toda a Igreja de Lisboa.<br />A Beatificação terá lugar no dia 21 de Maio, no Estádio do Restelo e será anunciada por um representante do Santo Padre, o Cardeal Angelo Amato. Outros elementos e informações irão sendo divulgados, quer pela Congregação que a tem como fundadora, quer pela Comissão para o efeito constituída, com membros da Congregação e representantes do Patriarcado.</p><h3>O ardor da Nova Evangelização</h3><p>4. Este ardor de Madre Clara é aquele &ldquo;novo ardor&rdquo; de que falava o Papa João Paulo II ao desafiar a Igreja para uma nova evangelização. Na linha da minha última Carta Pastoral, estamos todos a tentar despertar na nossa Igreja de Lisboa este ardor de uma &ldquo;evangelização renovada&rdquo;. A nossa Páscoa será incompleta se não aceitarmos o envio do ressuscitado: ide por todo o mundo e de todas as nações fazei discípulos (cf. Mt. 28,19).<br />A Igreja de Lisboa quis, durante este ano, dar relevo ao meu Jubileu Sacerdotal (cinquenta anos de sacerdócio). Estou-lhe grato por isso e tenho apenas um desejo: que o meu sacerdócio continue a ser, apesar dos meus limites, um foco irradiador do amor de Jesus Cristo, e que esta celebração jubilar, mais do que uma homenagem pessoal, seja este abrir-se da Igreja de Lisboa ao &ldquo;ardor&rdquo; de uma nova evangelização.</p><p><br />Lisboa, 22 de Fevereiro de 2011, Festa da Cadeira de São Pedro, Apóstolo</p><p style="text-align: right;"><br /><em>&dagger; JOSÉ, Cardeal-Patriarca</em></p>]]></content:encoded>
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  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/mensagem-de-bento-xvi-para-a-quaresma-2011">
    <title>Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2011</title>
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    <description>«Sepultados com Ele no baptismo, foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img height="263" width="192" align="right" src="/actualidade/papabentoxvi.jpg" alt="" />Amados irmãos e irmãs!</p><p>A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de Quaresma).</p><p>&nbsp;</p><p>1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, &laquo;tendo-nos tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo&raquo; iniciou para nós &laquo;a aventura jubilosa e exaltante do discípulo&raquo; (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria existência &laquo;os mesmos sentimentos de Jesus Cristo&raquo; (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao homem.</p><p>O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu possa &laquo;conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos&raquo; (Fl 3, 10-11). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.</p><p>Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os Pastores da Igreja a utilizar &laquo;mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia quaresmal&raquo; (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8, 11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.</p><p>&nbsp;</p><p>2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor &ndash; a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico &ndash; o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.</p><p>O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta &laquo;contra os dominadores deste mundo tenebroso&raquo; (Hb 6, 12), no qual o diabo é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.</p><p>O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, &laquo;em particular, a um alto monte&raquo; (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça de Deus: &laquo;Este é o Meu Filho muito amado: n&rsquo;Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O&raquo; (v. 5). É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.</p><p>O pedido de Jesus à Samaritana: &laquo;Dá-Me de beber&raquo; (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da &laquo;água a jorrar para a vida eterna&raquo; (v. 14): é o dom do espírito Santo, que faz dos cristãos &laquo;verdadeiros adoradores&raquo; capazes de rezar ao Pai &laquo;em espírito e verdade&raquo; (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, &laquo;enquanto não repousar em Deus&raquo;, segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.</p><p>O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: &laquo;Tu crês no Filho do Homem?&raquo;. &laquo;Creio, Senhor&raquo; (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n&rsquo;Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como &laquo;filho da luz&raquo;.</p><p>Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: &laquo;Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?&raquo; (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: &laquo;Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo&raquo; (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n&rsquo;Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.</p><p>O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas baptismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos &laquo;da água e do Espírito Santo&raquo;, e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da Graça para sermos seus discípulos.</p><p>&nbsp;</p><p>3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a &laquo;terra&raquo;, que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de Cristo, a &laquo;palavra da Cruz&raquo; manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas &ndash; e não só do supérfluo &ndash; aprendemos a desviar o olhar do nosso &laquo;eu&raquo;, para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).</p><p>No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: &laquo;Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...&raquo;. &laquo;Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma...&raquo; (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.</p><p>Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permite-nos também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que &laquo;as suas palavras não passarão&raquo; (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele &laquo;que ninguém nos poderá tirar&raquo; (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna.</p><p>&nbsp;</p><p>Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é &laquo;fazer-se conformes com a morte de Cristo&raquo; (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.</p><p>&nbsp;</p><p>Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.</p><p style="text-align: right;">BENEDICTUS PP XVI</p><p style="text-align: right;">(tradução oficial do Vaticano)</p><p>&nbsp;</p>]]></content:encoded>
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  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/ferias-saber-perder-tempo">
    <title>Férias: saber perder tempo</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/ferias-saber-perder-tempo</link>
    <description></description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><span><em>
<table cellspacing="1" cellpadding="1">
    <tbody>
        <tr>
            <td><img width="190" height="146" src="/actualidade/palmeira.jpg" alt="" /></td>
            <td><span><em>&ldquo;Para tudo há um tempo debaixo dos céus:        </em>
            <p><em>Tempo para nascer e tempo para morrer,        </em></p>
            <p><em>Tempo para procurar e tempo para perder,        </em></p>
            <p><em>Tempo para guardar e tempo para deitar fora&rdquo; (Ecle 3,1.6).</em></p>
            </span></td>
        </tr>
    </tbody>
</table>
</em>
<p>&nbsp;</p>
<p><span><span>Em tempo de férias é sempre oportuno reflectirmos sobre o bem mais        precioso da nossa vida: o tempo.</span></span></p>
<p>Perguntem <em>ao estudante que reprovou, quanto vale um ano! Perguntem à        mãe que teve o bebé prematuro, quanto vale um mês! Perguntem aos namorados        que não se viam há muito, o valor de uma hora! Para perceber o valor de um        minuto, perguntem ao passageiro que perdeu o avião! Para perceber o valor        de um segundo, perguntem a uma pessoa que conseguiu evitar um        acidente!</em></p>
<p>Assim nos mostra a vida como é precioso cada ano, cada dia, cada hora        ou fracção de tempo. Será por isso que se diz que &ldquo;o tempo é dinheiro&rdquo;? Ou        será que o tempo, como a moeda, se vai desvalorizando na nossa vida        cronometrada do dia-a-dia? E, no entanto, Deus dá-nos todo o tempo do        mundo de graça. Todo o tempo deste mundo: o <em>cronos</em> e o        <em>káiros</em>, o tempo medido e o tempo vivido.</p>
<p>Os antigos consideravam que a verdadeira ocupação do homem era o<em>        ócio</em> e não os negócios. Os monges tentaram manter vivo este ideal do        homem ciente da sua vocação: não fomos criados para trabalhar, mas para        louvar o criador; estamos neste mundo não para explorar a terra, mas para        cuidar do jardim da criação. <em>Ora et labora </em>foi a fórmula de        equilíbrio encontrada pelos mestres espirituais que sempre consideraram o        ócio e a contemplação tão importantes como o trabalho.</p>
<p>Na escola, na família e na sociedade preparam-nos para o trabalho, mas        não nos preparam para o ócio nem nos ensinam a saber &ldquo;perder tempo&rdquo;. Não        nos faltam meios e propostas para matarmos o tempo, em vez de nos        ensinarem a arte de vivê-lo com sabedoria: uns matam o tempo diante do        televisor, outros &ldquo;ocupando os tempos livres&rdquo; para que nunca estejam        livres; outros em actividades radicais, para que nunca cheguem à raiz das        coisas e dos problemas&hellip; Matamos o tempo para não nos cruzarmos com a        morte, e fugimos à morte para não nos encontrarmos com a vida.</p>
<p>Passamos a vida a correr contra o tempo, a lamentarmo-nos que &ldquo;não        temos tempo&rdquo;, quando afinal o tempo só nos foge porque nós corremos contra        ele. Construímos vias rápidas e máquinas velozes para ganhar tempo, mas é        o tempo que foge e passa depressa sem nos permitir contemplarmos a        paisagem de cada dia e saborear as paragens que a vida nos proporciona.        Tornamo-nos escravos do relógio e cada vez sabemos menos &ldquo;a quantas        andamos&rdquo;. Na ilusão de corrermos contra o tempo estamos a correr contra        nós, pois não vivendo realmente, acabamos por queimar o tempo e a vida.</p>
<p>Como é difícil valorizar o tempo presente que Deus nos dá, vivendo o        ritmo quotidiano da vida. Os mais velhos continuam a sonhar com o passado        sempre &ldquo;muito melhor&rdquo; (<em>no meu tempo é que era bom!</em>), enquanto os        mais jovens vivem obcecados com o futuro. Vamos assim contando os dias e        os anos sem vivermos cada momento e cada dia: uns sempre atrasados ou        desactualizados, outros tão avançados que parecem viver noutro planeta e        fuso horário.</p>
<p>Necessitamos de reaprender a arte do ócio, de dar tempo a nós mesmos, à        família, aos amigos. Precisamos de perder tempo com coisas &ldquo;inúteis&rdquo;:        pararmos a admirar o mistério do amanhecer, saborear a brisa da madrugada        que nos fala de Deus, escutar a polifonia dos pássaros que cantam sem        contrato, ouvir o silêncio das criaturas e decifrar as mensagens das        estrelas&hellip;</p>
<p>O tempo de férias constitui uma ocasião propícia para acertarmos a vida        pelo relógio do sol e pelo ritmo das criaturas. É o tempo em que podemos        tapar os ouvidos ao bater das horas, para escutarmos mais as batidas do        coração. Longe de ser um tempo para &ldquo;passar&rdquo; ou mal gasto, as férias        deveriam ser o tempo bem empregue: onde conseguimos arranjar agenda para        nós e para os outros; onde redescobrirmos que o dinheiro não é tudo, que        as melhores coisas da vida não se compram, pois são grátis, são graça.        Longe de ser um tempo de evasão, as férias deveriam ser tempo de encontro,        de reflexão, de avaliação; deveriam ser uma ocasião para passarmos do        <em>tempo de fazer</em> (ter que fazer), para o <em>tempo de viver</em>, o        tempo de experiência da autenticidade e da criatividade; Uma oportunidade        para transitarmos das evasivas utopias da máquina do tempo para voltarmos        a &ldquo;ter tempo&rdquo; e a vivê-lo com magia e fantasia infantil.</p>
<p>Quem dera que pelo menos as nossas férias fossem um tempo da        experiência compartilhada com o outro, tempo favorável ao encontro, tempo        cheio de significados. Como tão bem observou Marcel Proust: &ldquo;Uma hora não        é uma hora, é um vaso cheio de perfumes, sons, projectos e climas&rdquo;. Uma        vida não é vida se não for assim: cheia de perfumes, sons, projectos e        climas. Pois, afinal, a vida não é o tempo e os anos que vamos contando,        mas uma história de tempos, lugares e encontros cheios de tudo isso.</p>
<p>Dizia a raposa ao Princepezinho, &ldquo;foi o tempo que perdeste com tua rosa        que fez tua rosa tão importante&rdquo;. Porque esta continua a ser uma verdade        esquecida entre os humanos, é importante que haja quem saiba e ensine a        &ldquo;perder tempo&rdquo; com o mais importante. E o mais importante continua a ser        &ldquo;criar laços&rdquo; e &ldquo;deixar-se cativar&rdquo;.</p>
</span></p>
<div style="text-align: right;"><span><em>Agência Ecclesia | Frei Isidro Lamelas| 29/07/2007 </em></span><br />
</div>]]></content:encoded>
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  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/manoeloliveira">
    <title>Igreja premeia Manoel de Oliveira</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/manoeloliveira</link>
    <description>Distinção destaca síntese explícita entre os valores cristãos, a abertura à transcendência e a dimensão artística cultural</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p><img width="138" height="160" align="left" alt="" src="/actualidade/manoeldeoliveira_1b.jpg/image_preview" />No terceiro ano da sua atribuição, o Júri do &quot;Prémio de Cultura - Padre Manuel Antunes&quot;, instituído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, decidiu premiar &quot;o maior dos nossos cineastas&quot;, Manoel de Oliveira.<br />
<br />
&quot;No seu cinema, marcado por uma dualidade que Manuel Antunes tanto sublinhou nos nossos maiores, a beleza é como que uma saudade da eternidade. É um apelo a uma unidade primordial e final de que, na sua obra, vemos os reflexos esparsos, sabendo-se 'parte da parte' de um Todo por vir&quot;, refere o texto em que se justifica esta distinção.<br />
<br />
O anúncio deste prémio de atribuição anual, que visa destacar um percurso, ou uma obra no espaço da cultura portuguesa contemporânea que faça uma síntese explícita entre os valores cristãos, a abertura à transcendência e a dimensão artística cultural, vai ser feito sábado, ao final da tarde, em Fátima, no decorrer das III Jornadas da Pastoral da Cultura.<br />
<br />
O Padre Manuel Antunes, sj (Sertã, 1918 - Lisboa, 1985) serve de inspiração a este prémio, porque, na sua multíplice actividade de universitário, crítico e ensaísta, buscou, incansavelmente, colocar em diálogo a Fé e a Cultura.<br />
<br />
Justificação do Júri<br />
<br />
Falando de José Régio &ndash; que, com Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa, considerou em 1959, os três maiores poetas portugueses do século XX e &quot;três grandes poetas do sagrado&quot; &ndash; Manuel Antunes escreveu que Manoel de Oliveira era também o &quot;poeta da nossa vontade de quebrar e ultrapassar os limites, dos nossos esforços por encontrar uma verdade sempre entrevista jamais contemplada, da nossa insaciável fome de Deus&quot;.<br />
<br />
A Manoel de Oliveira, discípulo e admirador de Régio, de quem adaptou ao cinema várias obras, aplicam-se com pertinência estas palavras, ele que também podia dizer como Régio: &quot;diga o que diga&quot; (ou filme o que filme) &quot;é só falar de Deus&quot;.<br />
<br />
Aparentemente mais serena do que a obra de Régio (mas disso, que sabemos nós?) Oliveira, na sua singularíssima filmografia, iniciada em 1931, aos vinte e dois anos, e que, hoje, aos noventa e oito, prossegue com radicalidade cada vez maior, é, como Régio, o autor de &quot;um canto de origem &ndash; que não só de essência &ndash; religiosa&quot; (Manuel Antunes).<br />
<br />
Quando filmou Mon Cas, em 1986, Manoel de Oliveira falou do &quot;sinal inexorável e inextinguível da presença de Deus&quot;. &quot;Libertai as almas cativas!&quot; eram as palavras finais do Soulier de Satin. No seu cinema, marcado por uma dualidade que Manuel Antunes tanto sublinhou nos nossos maiores, a beleza é como que uma saudade da eternidade. É um apelo a uma unidade primordial e final de que, na sua obra, vemos os reflexos esparsos, sabendo-se &quot;parte da parte&quot; de um Todo por vir.<br />
<br />
Por isso, o Júri decidiu atribuir ao maior dos nossos cineastas &ndash; cineasta da re-ligação e cineasta do Sagrado &ndash; o Prémio Manuel Antunes de 2007.<br />
<br />
O Júri tem a seguinte composição: D. Manuel Clemente, Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; João Aguiar, Presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença; João Bénard da Costa, Escritor; Maria Teresa Dias Furtado, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; Hermínio Rico, sj, Director da Revista &ldquo;Brotéria&rdquo;; José Tolentino Mendonça, Director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.<br />
<br />
Esta é a terceira atribuição do &laquo;Prémio de Cultura &ndash; Padre Manuel Antunes&raquo;, instituído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura em parceria com a Rádio Renascença, e que, nas edições anteriores, distinguiu o poeta Fernando Echevarria e o cientista Luís Archer, sj.</p>
<div style="text-align: right;"><span style="font-style: italic;">in Agência Ecclesia, 01/06/2007<br />
</span></div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    <dc:date>2007-06-06T15:28:12Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/abhao-de-olhar-para-aquele-que-trespassarambb">
    <title>«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram»</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/abhao-de-olhar-para-aquele-que-trespassarambb</link>
    <description>Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2007</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[&laquo;Hão-de olhar para Aquele que trespassaram&raquo; (Jo 19, 37) <br />
<br />
<img width="148" height="157" align="right" src="/actualidade/papa.jpg" alt="papa.jpg" /> Queridos irmãos e irmãs! <br />
<br />
&laquo;Hão-de olhar para Aquele que trespassaram&raquo; (Jo 19, 37). Este é o tema<br />
bíblico que guia este ano a nossa reflexão quaresmal. A Quaresma é tempo<br />
propício para aprender a deter-se com Maria e João, o discípulo predilecto,<br />
ao lado d&rsquo;Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício<br />
da sua vida (cf. Jo 19, 25). Portanto, dirijamos o nosso olhar com<br />
participação mais viva, neste tempo de penitência e de oração, para Cristo<br />
crucificado que, morrendo no Calvário, nos revelou plenamente o amor de<br />
Deus. Detive-me sobre o tema do amor na Encíclica Deus caritas est, pondo em<br />
realce as suas duas formas fundamentais: o agape e o eros. <br />
<br />
O amor de Deus: agape e eros <br />
<br />
A palavra agape, muitas vezes presente no Novo Testamento, indica o amor<br />
oblativo de quem procura exclusivamente o bem do próximo; a palavra eros<br />
denota, ao contrário, o amor de quem deseja possuir o que lhe falta e anseia<br />
pela união com o amado. O amor com o qual Deus nos circunda é sem dúvida<br />
agape. De facto, pode o homem dar a Deus algo de bom que Ele já não possua?<br />
Tudo o que a criatura humana é e possui é dom divino: é portanto a criatura<br />
que tem necessidade de Deus em tudo. Mas o amor de Deus é também eros. No<br />
Antigo Testamento o Criador do universo mostra para com o povo que escolheu<br />
uma predilecção que transcende qualquer motivação humana. O profeta Oseias<br />
expressa esta paixão divina com imagens audazes, como a do amor de um homem<br />
por uma mulher adúltera (cf. 3, 1-3); Ezequiel, por seu lado, falando do<br />
relacionamento de Deus com o povo de Israel, não receia utilizar uma<br />
linguagem fervorosa e apaixonada (cf. 16, 1-22). Estes textos bíblicos<br />
indicam que o eros faz parte do próprio coração de Deus: o Omnipotente<br />
aguarda o &laquo;sim&raquo; das suas criaturas como um jovem esposo o da sua esposa.<br />
Infelizmente desde as suas origens a humanidade, seduzida pelas mentiras do<br />
Maligno, fechou-se ao amor de Deus, na ilusão de uma impossível<br />
auto-suficiência (cf. Gn 3, 1-7). Fechando-se em si mesmo, Adão afastou-se<br />
daquela fonte de vida que é o próprio Deus, e tornou-se o primeiro daqueles<br />
&laquo;que, pelo temor da morte, estavam toda a vida sujeitos à escravidão&raquo; (Hb 2,<br />
15). Deus, contudo, não se deu por vencido, aliás o &laquo;não&raquo; do homem foi como<br />
que o estímulo decisivo que o levou a manifestar o seu amor em toda a sua<br />
força redentora. <br />
<br />
A Cruz revela a plenitude do amor de Deus <br />
<br />
É no mistério da Cruz que se revela plenamente o poder incontível da<br />
misericórdia do Pai celeste. Para reconquistar o amor da sua criatura, Ele<br />
aceitou pagar um preço elevadíssimo: o sangue do seu Filho Unigénito. A<br />
morte, que para o primeiro Adão era sinal extremo de solidão e de<br />
incapacidade, transformou-se assim no acto supremo de amor e de liberdade do<br />
novo Adão. Pode-se então afirmar, com São Máximo, o Confessor, que Cristo<br />
&laquo;morreu, se assim se pode dizer, divinamente, porque morreu livremente&raquo;<br />
(Ambigua, 91, 1956). Na Cruz manifesta-se o eros de Deus por nós. Eros é de<br />
facto &ndash; como se expressa o Pseudo Dionísio &ndash; aquela &laquo;força que não permite<br />
que o amante permaneça em si mesmo, mas o estimula a unir-se ao amado&raquo; (De<br />
divinis nominibus, IV, 13: PG 3, 712). Qual &laquo;eros mais insensato&raquo; (N.<br />
Cabasilas, Vita in Cristo, 648) do que aquele que levou o Filho de Deus a<br />
unir-se a nós até ao ponto de sofrer como próprias as consequências dos<br />
nossos delitos? <br />
<br />
&laquo;Aquele que trespassaram&raquo; <br />
<br />
Queridos irmãos e irmãs, olhemos para Cristo trespassado na Cruz! É Ele a<br />
revelação mais perturbadora do amor de Deus, um amor em que eros e agape,<br />
longe de se contraporem, se iluminam reciprocamente. Na Cruz é o próprio<br />
Deus que mendiga o amor da sua criatura: Ele tem sede do amor de cada um de<br />
nós. O apóstolo Tomé reconheceu Jesus como &laquo;Senhor e Deus&raquo; quando colocou o<br />
dedo na ferida do seu lado. Não surpreende que, entre os santos, muitos<br />
tenham encontrado no Coração de Jesus a expressão mais comovedora deste<br />
mistério de amor. Poder-se-ia até dizer que a revelação do eros de Deus ao<br />
homem é, na realidade, a expressão suprema do seu agape. Na verdade, só o<br />
amor no qual se unem o dom gratuito de si e o desejo apaixonado de<br />
reciprocidade infunde um enlevo que torna leves os sacrifícios mais pesados.<br />
Jesus disse: &laquo;E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim&raquo; (Jo<br />
12, 32). A resposta que o Senhor deseja ardentemente de nós é antes de tudo<br />
que acolhamos o seu amor e nos deixemos atrair por Ele. Mas aceitar o seu<br />
amor não é suficiente. É preciso corresponder a este amor e comprometer-se<br />
depois a transmiti-lo aos outros: Cristo &laquo;atrai-me para si&raquo; para se unir<br />
comigo, para que eu aprenda a amar os irmãos com o seu mesmo amor. <br />
<br />
Sangue e água <br />
<br />
&laquo;Hão-de olhar para Aquele que trespassaram&raquo;. Olhemos com confiança para o<br />
lado trespassado de Jesus, do qual brotam &laquo;sangue e água&raquo; (Jo 19, 34)! Os<br />
Padres da Igreja consideraram estes elementos como símbolos dos sacramentos<br />
do Baptismo e da Eucaristia. Com a água do Baptismo, graças à acção do<br />
Espírito Santo, abre-se para nós a intimidade do amor trinitário. No caminho<br />
quaresmal, recordando o nosso Baptismo, somos exortados a sair de nós<br />
próprios e a abrir-nos, num abandono confiante, ao abraço misericordioso do<br />
Pai (cf. São João Crisóstomo, Catechesi, 3, 14 ss.). O sangue, símbolo do<br />
amor do Bom Pastor, flui em nós especialmente no mistério eucarístico: &laquo;A<br />
Eucaristia atrai-nos para o acto oblativo de Jesus... somos envolvidos na<br />
dinâmica da sua doação&raquo; (Enc. Deus caritas est, 13). Vivamos então a<br />
Quaresma como um tempo &laquo;eucarístico&raquo;, no qual, acolhendo o amor de Jesus,<br />
aprendemos a difundi-lo à nossa volta com todos os gestos e palavras.<br />
Contemplar &laquo;Aquele que trespassaram&raquo; estimular-nos-á desta forma a abrir o<br />
coração aos outros reconhecendo as feridas provocadas à dignidade do ser<br />
humano; impulsionar-nos-á, sobretudo, a combater qualquer forma de desprezo<br />
da vida e de exploração da pessoa e a aliviar os dramas da solidão e do<br />
abandono de tantas pessoas. A Quaresma seja para cada cristão uma<br />
experiência renovada do amor de Deus que nos foi dado em Cristo, amor que<br />
todos os dias devemos, por nossa vez, &laquo;dar novamente&raquo; ao próximo, sobretudo<br />
a quem mais sofre e é necessitado. Só assim poderemos participar plenamente<br />
da alegria da Páscoa. Maria, a Mãe do Belo Amor, nos guie neste itinerário<br />
quaresmal, caminho de conversão autêntica ao amor de Cristo. Desejo a vós,<br />
queridos irmãos e irmãs, um caminho quaresmal proveitoso, enquanto com<br />
afecto envio a todos uma especial Bênção Apostólica. <br />
<br />
Vaticano, 21 de Novembro de 2006. <br />
<br />
BENEDICTUS PP. XVI <br />
<br />
&copy; Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    <dc:date>2007-02-15T19:21:11Z</dc:date>
    <dc:type>Página</dc:type>
  </item>


  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/referendo-sim-ou-nao-5">
    <title>Referendo: Sim ou Não?</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/referendo-sim-ou-nao-5</link>
    <description>Quinto de 5 textos (semanais) do Cardeal Patriarca de Lisboa, a respeito do Referendo sobre o Aborto</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[(pode consultar os restantes textos em &laquo;<a href="/actualidade">Temas de Actualidade</a>&raquo;)<br />
<br />
<strong> </strong>
<div style="text-align: left;">
<div><strong><strong>V &ndash;</strong> <strong>A dignidade da consciência</strong></strong></div>
<div><strong><strong>&nbsp;</strong></strong></div>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><span>1. Ao sermos consultados sobre uma questão tão delicada como é a legalização do aborto, a resposta é pessoal e livre, empenhativa da própria consciência. Quanto mais grave é a questão, maior é a responsabilidade da consciência. É como se dependesse de cada um de nós permitir ou proibir a legalização do aborto. São momentos em que a responsabilidade da liberdade é enorme, pois cada um torna-se corresponsável da decisão que vier a ser tomada.</span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todos parecem estar de acordo que esta é uma questão de consciência, embora na maneira como o afirmam, nem sempre transpareça o sentido da sua dignidade. A consciência é o santuário mais íntimo da pessoa humana, expressão máxima da liberdade e da capacidade de dar sentido à própria existência, onde se afere o que é bem e o que é mal, onde se adopta o sentido radical da vida, onde se tomam as opções que a guiam e comprometem.</span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A consciência é o encontro das mais nobres faculdades humanas: a inteligência, a vontade, a liberdade. Por isso, ela tem de ser iluminada pela verdade, sustentada pela capacidade de decisão e exprimir-se livremente. O exercício da liberdade deveria ser sempre uma opção de consciência.</span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não se pode violentar a consciência, pressionando-a, iludindo-a com falsas verdades, desviando-a do essencial da sua responsabilidade. Violentar a consciência é o mais grave atropelo da dignidade da pessoa humana.</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. Dada a sua dignidade e responsabilidade, a consciência precisa de ser iluminada pela verdade. Formar a própria consciência é sempre, mas sobretudo nas questões mais graves, procurar a luz da verdade. A consciência do cristão precisa de ser iluminada, não apenas pela luz natural, mas pela Palavra de Deus e pelo ensinamento da Igreja, coerente e unânime ao longo de uma longa tradição. Só a luz da verdade indica com clareza o caminho a seguir e a decisão a tomar. </span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste caso concreto é preciso escutar o essencial dessa mensagem: toda a vida é um dom de Deus, só Deus é Senhor da vida, nenhuma decisão humana contra a vida é legítima e honesta. Este respeito pela vida radicaliza-se no mandamento novo do amor: amai-vos uns aos outros. Só no amor fraterno a consciência atinge a plenitude da sua dignidade. Isso aliás está expresso no quinto mandamento da Lei de Deus: &ldquo;Não matarás nem causarás dano, a ti mesmo, ou ao teu próximo&rdquo;. Ninguém pode fazer mal ao seu semelhante.</span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nem todos são capazes de acolher a luz da Palavra de Deus, que supõe a fé. Mas no caso do respeito pela vida, esta Palavra está impressa no coração de cada homem, é uma lei natural, que é parte constitutiva da dignidade do ser humano e que iluminará a consciência, se esta não for perturbada com mentiras ou meias verdades.</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. Situações como esta, em que uma comunidade inteira é convidada, ao mesmo tempo, a tomar uma decisão de consciência das mais empenhativas da liberdade humana, não são frequentes, penso mesmo que devem ser excepcionais, para não se tornarem ilegítimas. Pedir aos portugueses que, todos ao mesmo tempo, tomem uma decisão de tal gravidade, é muito mais que o vulgar exercício da democracia, em si mesma, como sistema político, orientada para a gestão da &ldquo;coisa pública&rdquo;. Não se pode perguntar, repetidamente, aos portugueses se aceitam a legalização do aborto, ao sabor dos ritmos políticos.</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4. Neste tempo de esclarecimento, todos se devem confrontar com a verdade acerca da vida desde o seu início. Escutem, antes de mais, a voz íntima do seu coração, tantas vezes abafada pelos afectos e pelo barulho feito à volta desta questão. Escutem o testemunho da ciência, de médicos e psicólogos que nos têm vindo a proclamar a beleza da vida, desde o seu início, e dos traumas humanos provocados nas mulheres que abortam. Escutem o testemunho comovido de mulheres que abortaram e a alegria já manifestada por aquelas que venceram essa tentação e sentem hoje a alegria do filho que deixaram nascer. Escutemos, sobretudo, a Palavra de Deus e a voz da Igreja, que tem a doutrina que afirma, não por contradição, mas na fidelidade à verdade fundamental sobre a vida e sobre o homem. A defesa desta verdade, a Igreja fá-la por fidelidade, tantas vezes partilhando a dor de quem sofre este drama, e que ela toca ao vivo no mais discreto do seu ministério.</span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesta abertura à verdade que ilumina a nossa consciência, temos de nos defender de alguns obstáculos: da pressão sobre nós exercida por visões ideológico-partidárias e por movimentos de opinião. Mas temos, sobretudo, de nos defender de meias verdades e, sobretudo, das inverdades que podem surgir no calor da campanha em favor da opção que se deseja. Antes da responsabilidade do voto, cada um de nós tem, neste momento, a responsabilidade de procurar a verdade, pois só ela nos iluminará. E isso faz-se escutando os outros, esclarecendo dúvidas, debatendo perspectivas.</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 5. No dia 11 de Fevereiro próximo, na solidão de um voto, cada um de nós estará sozinho com a sua consciência, tornando-se corresponsável de uma decisão grave para a vida de pessoas e para a sociedade como um todo. O momento do voto não é comparável àquele em que uma mulher, também sozinha, tem de tomar a decisão de abortar ou não. Aí a decisão é envolta em drama, diz respeito a uma vida concreta, a que tem no seu seio, e aí joga a sua dignidade e o seu futuro. Mas a nossa decisão tem também a densidade de decidir do destino de muitos seres humanos e da grandeza e dignidade da sociedade que somos. Transformar a possibilidade do aborto num direito adquirido, tem consequências de civilização.</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<div align="center">&nbsp;</div>
<div align="center">&dagger; JOSÉ, Cardeal-Patriarca</div>
&nbsp;</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    <dc:date>2007-01-21T17:37:05Z</dc:date>
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  </item>


  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/referendo-sim-ou-nao-4">
    <title>Referendo: Sim ou Não?</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/referendo-sim-ou-nao-4</link>
    <description>Quarto de 5 textos (semanais) do Cardeal Patriarca de Lisboa, a respeito do Referendo sobre o Aborto</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[(pode consultar os restantes textos em &laquo;<a href="/actualidade">Temas de Actualidade</a>&raquo;)<br />
<br />
<strong>IV &ndash;</strong> <strong>As verdadeiras soluções</strong>
<div>&nbsp;</div>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1. Ao afirmarmos que a legalização do aborto não é a solução, nem legítima, nem eficaz, para enfrentar o drama do aborto clandestino, nem a resposta a dar às mulheres grávidas, que enfrentam com dificuldade a maternidade, aceitamos que nos perguntem: quais são, então, as verdadeiras soluções? Devemos procurá-las nos grandes valores da civilização cristã e de uma sociedade justa e humanista, que ponha os valores acima dos interesses.</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. O primeiro desses valores é o amor fraterno, que exige o domínio dos egoísmos individualistas e a generosidade para ajudar os outros, sobretudo os que enfrentam problemas e necessidades graves. A solidariedade, que no ideal cristão ganha a densidade da caridade, é o dinamismo fundamental da construção da comunidade e de uma sociedade solidária.</span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Num estudo recente, feito pela Universidade Católica Portuguesa, à pergunta dirigida às mulheres, se, num caso de maternidade difícil, optariam pelo aborto ou por aceitar a ajuda para poder levar a termo a sua maternidade, 76% das inquiridas responderam que, se fossem ajudadas, não recorreriam ao aborto. Este é um desafio feito ao Estado, à sociedade e também à Igreja. Temos de encontrar soluções positivas, na linha da solidariedade e da ajuda fraterna. É preciso organizar uma rede de apoio, discreta mas eficaz, de modo que toda a mulher a quem se coloque a tentação de recorrer ao aborto, saiba onde e a quem poderá recorrer, onde seja salvaguardada a sua intimidade e lhe seja garantida a ajuda de que precisa: espiritual, psicológica e material. Para nós cristãos, não passará também por aqui a tal &ldquo;fantasia da caridade&rdquo;?</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. Uma outra ordem de valores sobre a qual se pode construir uma solução, situa-se no âmbito da educação. A educação deve propor um quadro de compreensão da vida humana, dos instintos à liberdade, que abra para a generosidade e para a responsabilidade. Conceber o exercício da liberdade numa perspectiva individualista, em que cada um pode fazer tudo o que quer e lhe apetece, não leva nem ao crescimento da pessoa, nem à edificação de uma sociedade justa e solidária. A sociedade fica confrontada com a necessidade de resolver, de forma pragmática e eficaz, os percalços e os problemas criados por uma liberdade individual sem responsabilidade. É assim nos acidentes de viação, nas agressões contra o ambiente, no abandono e abuso de crianças, no aborto. </span></p>
<p><span>O exercício individualista da liberdade origina uma sociedade permissiva. O Estado gasta uma parte significativa das suas capacidades e energias a corrigir abusos da liberdade, e as leis que enquadram essa busca de soluções tendem a ser pragmáticas, não se enquadrando nos valores fundamentais de uma cultura que situe e motive a liberdade individual. Isso é tarefa da educação.</span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O caso concreto do aborto toca num aspecto fundamental: a educação para a sexualidade, generosa e responsável, que encontra no amor o contexto positivo do seu sentido. Enquanto o ambiente for o de cada um fazer o que lhe apetece, o uso da sexualidade levará, cada vez mais, ao desrespeito da pessoa humana de que resulta: a violência familiar, o abuso de crianças, a sida, a utilização da mulher como objecto, os percalços indesejáveis na adolescência, o aborto. Acordemos todo para uma educação que promova a dignidade da pessoa humana, e esteja à altura da civilização que herdámos.</span></p>
<p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Está na ordem do dia a equação do que deverá ser a educação sexual nas escolas. É bem-vinda e necessária. Mas se não se enquadrar nesta visão generosa da pessoa humana, ela poderá gerar mais permissivismo, mais violência, mais problemas. Um aspecto delicado é a educação para uma sadia regulação da própria fecundidade. A doutrina da Igreja, a este respeito, baseia-se no princípio da fecundidade responsável e generosa, no quadro do ideal cristão da castidade, que desafia os cristãos a viverem a sua sexualidade como experiência de amor generoso, no quadro da família, potenciada com a graça própria do sacramento do matrimónio. O não sancionamento ético, por parte da Igreja, de todos os métodos de regulação da fecundidade, não pode ser usado como argumento a favor do aborto. Eles dizem respeito à exigência do amor casto, caminho de santidade, situando-se no âmbito da consciência da pessoa, homem e mulher, não comprometendo a vida de outro ser humano, como no caso do aborto. São mandamentos diferentes na Lei de Deus: guardarás castidade é um mandamento, que é desafio para a vivência da própria sexualidade; e &ldquo;não matarás&rdquo;, que é exigência radical de respeito pela vida dos outros. Em termos religiosos ou simplesmente culturais, não haverá verdadeira educação sexual se não abrir para a perspectiva da castidade, concebida como vivência generosa e responsável da própria sexualidade. </span></p>
<p><span>Este é o quadro cultural em que se construirão soluções, não apenas para o problema do aborto, mas para a estabilidade do casamento, para os desregramentos que impedem uma vida sadia e para a erradicação de todas as formas de violência que têm a sua origem numa sexualidade desregrada e egoísta. Durante toda a vida, a sexualidade tem de ser expressão de vida e caminho de felicidade.</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<div>&nbsp;</div>
<div align="center">&dagger; JOSÉ, Cardeal-Patriarca</div>
<div align="center">&nbsp;</div>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
    <dc:rights></dc:rights>
    <dc:date>2007-01-21T17:37:05Z</dc:date>
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  </item>


  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/kiva">
    <title>Kiva - Empréstimos que mudam vidas</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/kiva</link>
    <description>Kiva é um serviço, acessível pela internet, que lhe permite emprestar a alguém carenciado mas empreendedor nos países em vias de desenvolvimento - dando-lhe poder para se erguer a ele próprio da pobreza, tornando-se pequeno empresário.</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="text-align: left;">&nbsp;</p> <p style="text-align: center;"><a target="_top" href="http://www.kiva.org"><img width="460" height="60" border="0" align="bottom" alt="Kiva - loans that change lives" src="http://www.kiva.org/images/bannerlong.png" /></a></p> <h2>O que é o Kiva?</h2> <p>O Kiva existe desde Março de 2005.</p> <p>A missão do Kiva é <span style="font-weight: bold;">ligar pessoas através da realização de empréstimos com o fim de aliviar a pobreza</span>.</p> <p>Kiva é o primeiro sítio de micro-empréstimo pessoa-para-pessoa da internet no mundo, permitindo a indivíduos emprestar directamente a pequenos empresários específicos no mundo em vias de desenvolvimento.</p> <p><span style="font-weight: bold;">As pessoas que vê no sítio do Kiva são indivíduos reais que necessitam de financiamento - não são material de marketing</span>.</p> <p><span style="font-weight: bold;">O Kiva associa-se a instituições existentes peritas em micro-crédito</span>. Os parceiros do Kiva são peritos em escolher pequenos empresários qualificados.</p> <p><span style="font-weight: bold;">O Kiva fornece uma plataforma de empréstimo rica em informação e transparente</span>.</p> <p>Pode consultar o sítio do Kiva em <a href="http://www.kiva.org">www.kiva.org</a></p> <p>&nbsp;</p> <h2>Como funciona o Kiva</h2> <h3>Escolha um Pequeno Empresário, Empreste, Seja Pago.</h3> <p style="text-align: center;"><img width="400" height="279" alt="" src="../../actualidade/kivacycle-simple.jpg" /></p> <ol>     <li>Pessoas que emprestam como você consultam os perfis de pequenos empresários que necessitam, e escolhem alguém a quem emprestar. Usam o PayPal ou o cartão de crédito. Pode emprestar tão pouco como $25.</li>     <li>Os parceiros de micro-crédito do Kiva distribuem o empréstimo.</li>     <li>Ao longo do tempo, o pequeno empresário devolve o empréstimo. Quem empresta vai sendo informado através de e-mail.</li>     <li>Quando quem empresta recebe o dinheiro de volta, podem emprestá-lo de novo a outra pessoa que necessite, doar fundos ao Kiva (para cobrir despesas operacionais), ou retirar os seus fundos.</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> <h2>Factos e estatísticas</h2> <table class="kvInfoBoxPlain">     <tbody>         <tr>             <td style="width: 500px;">Valor total de todos os empréstimos feitos através do Kiva</td>             <td>$177,726,325</td>         </tr>         <tr>             <td>Número de pessoas que emprestaram</td>             <td>510,136</td>         </tr>         <tr>             <td>Número de empréstimos realizados através do Kiva</td>             <td>242,584</td>         </tr>         <tr>             <td>Número de pequenos empresários que receberam empréstimos</td>             <td>466,158</td>         </tr>         <tr>             <td>Número de &quot;Kiva Field Partners&quot; (instituições de micro-crédito com as quais o Kiva se associa)</td>             <td>125</td>         </tr>         <tr>             <td>Número de países onde os &quot;Kiva Field Partners&quot; estão localizados</td>             <td>57</td>         </tr>         <tr>             <td>Taxa de reembolso actual</td>             <td>98.78%</td>         </tr>                  <tr>             <td>Dimensão média de um empréstimo (Esta é a quantia média emprestada a um pequeno empresário individual. Alguns empréstimos - empréstimos de grupo - são divididos entre um grupo de pessoas)</td>             <td>$381.16</td>         </tr>         <tr>             <td>Quantia média emprestada por utilizador do Kiva (inclui fundos re-emprestados)</td>             <td>$219.99</td>         </tr>         <tr>             <td>Número médio de empréstimos por utilizador do Kiva</td>             <td>6.52</td>         </tr>     </tbody> </table> <p style="font-style: italic;">&nbsp;</p> <p style="font-style: italic;">(Dados de 2010-12-10. Pode consultar as <a href="http://www.kiva.org/about/facts">estatísticas actuais</a>)</p> <p>&nbsp;</p> <h2>Prémios</h2> <ul>     <li>Em 2006 O Prof. Muhammad Yunus &amp; Grameen Bank receberam o Prémio Nobel da Paz pelos seus esforços em criar desenvolvimento económico e social. Um dos meios que utilizam para tal é o microcrédito.</li>     <li>Em Setembro de 2007, Kiva é um vencedor do  <a set="yes" linkindex="35" target="blank" href="http://www.wsis-award.org/">World Summit Award 2007 for &quot;e-Business&quot;</a> e  <a set="yes" linkindex="36" target="blank" href="http://www.techawards.org/laureates/stories/index.php?id=161">The Tech Museum Awards 2007 Economic Development Award Laureate.</a></li>     <li>Em Março de 2008, Kiva recebe um prémio tri-anual de $1,015,000 da Skoll Foundation, o <a set="yes" linkindex="39" href="http://www.skollfoundation.org/media/press_releases/internal/031108.asp">Skoll Award for Social Entrepreneurship</a>.</li>     <li>Em Maio de 2008, Kiva.org é premiado com o <a set="yes" linkindex="43" target="blank" href="http://www.webbyawards.com/webbys/current.php?season=12">Webby People's Choice Award</a> para Organizações Caritativas / Não Lucrativas</li> </ul> <p>&nbsp;</p> <h2>Sugestões</h2> <ul>     <li>Passe a palavra... Ajude a dar a conhecer esta iniciativa. Veja <a href="http://www.kiva.org/about/do-more">sugestões de como o pode fazer</a>.</li>     <li>Ofereça <a href="http://www.kiva.org/app.php?page=gift&action=home">presentes Kiva</a> a outras pessoas. Pode oferecer, por exemplo, certificados Kiva, que permitem a outra pessoa fazer empréstimos com uma quantia que você lhe oferecer.</li>     <li>Junte-se a uma equipa (&quot;Kiva Team&quot;) e os seus empréstimos adquirirão um sentido comunitário. Existe uma <a href="http://www.kiva.org/community/viewTeam?team_id=257">equipa para católicos</a>, outra para <a href="http://www.kiva.org/community/viewTeam?team_id=71">portugueses</a>, etc. Pode até <a href="http://www.kiva.org/community">criar uma nova equipa</a>.</li>     <li><a href="http://www.microcredito.com.pt/as_origens_e_o_prof_mouhammad_yunus.asp">Conheça mais sobre o microcrédito (em português e em Portugal)</a>. Ou em <a href="http://www.kiva.org/about/microfinance/">inglês</a>.</li> </ul>]]></content:encoded>
    <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
    <dc:creator>admin</dc:creator>
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    <dc:date>2009-01-06T22:05:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/se-quiseres-cultivar-a-paz-preserva-a-criacao">
    <title>SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO</title>
    <link>http://www.paroquiabenedita.org/actualidade/se-quiseres-cultivar-a-paz-preserva-a-criacao</link>
    <description>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2010</description>
    <content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">1. Por ocasião do início do Ano Novo, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades cristãs, aos responsáveis das nações, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. Para este XLIII Dia Mundial da Paz, escolhi o tema: <i>Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação</i>. O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque &laquo;a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus&raquo;<a name="_ednref1"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn1"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[1]</span></a> e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade. Com efeito, se são numerosos os perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com o seu semelhante &ndash; guerras, conflitos internacionais e regionais, actos terroristas e violações dos direitos humanos &ndash;, não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu. Por isso, é indispensável que a humanidade renove e reforce &laquo;aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho&raquo;.<a name="_ednref2"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn2"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[2]</span></a></span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">2. Na encíclica <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, pus em realce que o desenvolvimento humano integral está intimamente ligado com os deveres que nascem da <i>relação do homem com o ambiente natural</i>, considerado como uma dádiva de Deus para todos, cuja utilização comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente os pobres e as gerações futuras. Assinalei também que corre o risco de atenuar-se, nas consciências, a noção da responsabilidade, quando a natureza e sobretudo o ser humano são considerados simplesmente como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo.<a name="_ednref3"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn3"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[3]</span></a> Pelo contrário, conceber a criação como dádiva de Deus à humanidade ajuda-nos a compreender a vocação e o valor do homem; na realidade, cheios de admiração, podemos proclamar com o salmista: &laquo;Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?&raquo; (<i>Sl</i> 8, 4-5). Contemplar a beleza da criação é um estímulo para reconhecer o amor do Criador; aquele Amor que &laquo;move o sol e as outras estrelas&raquo;.<a name="_ednref4"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn4"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[4]</span></a></span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">3. Há vinte anos, ao dedicar a Mensagem do Dia Mundial da Paz ao tema <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/messages/peace/documents/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Paz com Deus criador, paz com toda a criação</span></a></i>, o <a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Papa João Paulo II</span></a> chamava a atenção para a relação que nós, enquanto criaturas de Deus, temos com o universo que nos circunda. &laquo;Observa-se nos nossos dias &ndash; escrevia ele &ndash; uma consciência crescente de que a paz mundial está ameaçada (&hellip;) também pela falta do respeito devido à natureza&raquo;. E acrescentava que esta <i>consciência ecológica</i> &laquo;não deve ser reprimida mas antes favorecida, de maneira que se desenvolva e vá amadurecendo até encontrar expressão adequada em programas e iniciativas concretas&raquo;.<a name="_ednref5"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn5"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[5]</span></a> Já outros meus predecessores se referiram à relação existente entre o homem e o ambiente; por exemplo, em 1971, por ocasião do octogésimo aniversário da encíclica <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Rerum novarum</span></a></i> de <a href="http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/index_po.htm"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Leão XIII</span></a>, <a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/index_po.htm"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Paulo VI</span></a> houve por bem sublinhar que, &laquo;por motivo de uma exploração inconsiderada da natureza, [o homem] começa a correr o risco de a destruir e de vir a ser, também ele, vítima dessa degradação&raquo;. E acrescentou que, deste modo, &laquo;não só o ambiente material se torna uma ameaça permanente &ndash; poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto &ndash; mas é o próprio contexto humano que o homem não consegue dominar, criando assim para o dia de amanhã um ambiente global que se lhe poderá tornar insuportável. Problema social de grande envergadura, este, que diz respeito à inteira família humana&raquo;.<a name="_ednref6"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn6"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[6]</span></a></span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">4. Embora evitando de intervir sobre soluções técnicas específicas, a Igreja, &laquo;perita em humanidade&raquo;, tem a peito chamar vigorosamente a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação. Em 1990, <a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">João Paulo II</span></a> falava de &laquo;crise ecológica&raquo; e, realçando o carácter prevalecentemente ético de que a mesma se revestia, indicava &laquo;a urgente necessidade moral de uma nova solidariedade&raquo;.<a name="_ednref7"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn7"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[7]</span></a> Hoje, com o proliferar de manifestações duma crise que seria irresponsável não tomar em séria consideração, tal apelo aparece ainda mais premente. Pode-se porventura ficar indiferente perante as problemáticas que derivam de fenómenos como as alterações climáticas, a desertificação, o deterioramento e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e tropicais? Como descurar o fenómeno crescente dos chamados &laquo;prófugos ambientais&raquo;, ou seja, pessoas que, por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigadas a abandoná-lo &ndash; deixando lá muitas vezes também os seus bens &ndash; tendo de enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada? Com não reagir perante os conflitos, já em acto ou potenciais, relacionados com o acesso aos recursos naturais? Trata-se de um conjunto de questões que têm um impacto profundo no exercício dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito à vida, à alimentação, à saúde, ao desenvolvimento.</span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">5. Entretanto tenha-se na devida conta que não se pode avaliar a crise ecológica prescindindo das questões relacionadas com ela, nomeadamente o próprio conceito de desenvolvimento e a visão do homem e das suas relações com os seus semelhantes e com a criação. Por isso, é decisão sensata realizar uma <i>revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento</i> e também reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações. Exige-o o estado de saúde ecológica da terra; reclama-o também e sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas há muito tempo que se manifestam por toda a parte.<a name="_ednref8"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn8"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[8]</span></a> A humanidade tem necessidade de uma <i>profunda renovação cultural</i>; precisa de <i>redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme </i>sobre o qual se pode construir um futuro melhor para todos. As situações de crise que está atravessando, de carácter económico, alimentar, ambiental ou social, no fundo são também crises morais e estão todas interligadas. Elas obrigam a projectar de novo a estrada comum dos homens. Impõem, de maneira particular, um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade, com novas regras e formas de compromisso, apostando com confiança e coragem nas experiências positivas realizadas e rejeitando decididamente as negativas. É o único modo de fazer com que a crise actual se torne uma <i>ocasião para discernimento e nova projectação</i>. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">6. Porventura não é verdade que, na origem daquela que em sentido cósmico chamamos &laquo;natureza&raquo;, há &laquo;um desígnio de amor e de verdade&raquo;? O mundo &laquo;não é fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso, (&hellip;) procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade&raquo;.<a name="_ednref9"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn9"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[9]</span></a> Nas suas páginas iniciais, o livro do<i> Génesis</i> introduz-nos no projecto sapiente do cosmos, fruto do pensamento de Deus, que, no vértice, colocou o homem e a mulher, criados à imagem e semelhança do Criador, para &laquo;encher e dominar a terra&raquo; como &laquo;administradores&raquo; em nome do próprio Deus (cf. <i>Gn</i> 1, 28). A harmonia descrita na Sagrada Escritura entre o Criador, a humanidade e a criação foi quebrada pelo pecado de Adão e Eva, do homem e da mulher, que pretenderam ocupar o lugar de Deus, recusando reconhecer-se como suas criaturas. Em consequência, ficou deturpada também a tarefa de &laquo;dominar&raquo; a terra, de a &laquo;cultivar e guardar&raquo; e gerou-se um conflito entre eles e o resto da criação (cf. <i>Gn</i> 3, 17-19). O ser humano deixou-se dominar pelo egoísmo, perdendo o sentido do mandato de Deus, e, no relacionamento com a criação, comportou-se como explorador pretendendo exercer um domínio absoluto sobre ela. Mas o verdadeiro significado do mandamento primordial de Deus, bem evidenciado no livro do<i> Génesis</i>, não consistia numa simples concessão de autoridade, mas antes num apelo à responsabilidade. Aliás, a sabedoria dos antigos reconhecia que a natureza está à nossa disposição, mas não como &laquo;um monte de lixo espalhado ao acaso&raquo;,<a name="_ednref10"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn10"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[10]</span></a> enquanto a Revelação bíblica nos fez compreender que a natureza é dom do Criador, o Qual lhe traçou os ordenamentos intrínsecos a fim de que o homem pudesse deduzir deles as devidas orientações para a &laquo;cultivar e guardar&raquo; (cf. <i>Gn</i> 2, 15).<a name="_ednref11"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn11"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[11]</span></a> Tudo o que existe pertence a Deus, que o confiou aos homens, mas não à sua arbitrária disposição. E quando o homem, em vez de desempenhar a sua função de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebelião da natureza, &laquo;mais tiranizada que governada por ele&raquo;.<a name="_ednref12"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn12"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[12]</span></a> O homem tem, portanto, o dever de exercer um governo responsável da criação, preservando-a e cultivando-a.<a name="_ednref13"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn13"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[13]</span></a></span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">7. Infelizmente temos de constatar que um grande número de pessoas, em vários países e regiões da terra, experimenta dificuldades cada vez maiores, porque muitos se descuidam ou se recusam a exercer sobre o ambiente um governo responsável. O <a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/index_po.htm"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Concílio Ecuménico Vaticano II</span></a> lembrou que &laquo;Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e povos&raquo;.<a name="_ednref14"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn14"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[14]</span></a> Por isso, a herança da criação pertence à humanidade inteira. Entretanto o ritmo actual de exploração põe seriamente em perigo a disponibilidade de alguns recursos naturais não só para a geração actual, mas sobretudo para as gerações futuras.<a name="_ednref15"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn15"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[15]</span></a> Ora não é difícil constatar como a degradação ambiental é muitas vezes o resultado da falta de projectos políticos clarividentes ou da persecução de míopes interesses económicos, que se transformam, infelizmente, numa séria ameaça para a criação. Para contrastar tal fenómeno, na certeza de que &laquo;<i>cada decisão económica tem consequências de carácter moral</i>&raquo;,<a name="_ednref16"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn16"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[16]</span></a> é necessário também que a actividade económica seja mais respeitadora do ambiente. Quando se lança mão dos recursos naturais, é preciso preocupar-se com a sua preservação prevendo também os seus custos em termos ambientais e sociais, que se devem contabilizar como uma parcela essencial da actividade económica. Compete à comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo. Para proteger o ambiente e tutelar os recursos e o clima é preciso, por um lado, agir no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jurídico e económico e, por outro, ter em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regiões mais pobres da terra e às gerações futuras.</span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">8. Na realidade, é urgente a obtenção de uma leal <i>solidariedade entre as gerações</i>. Os custos resultantes do uso dos recursos ambientais comuns não podem ficar a cargo das gerações futuras. &laquo;Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever. <i>Trata-se de uma responsabilidade que as gerações presentes têm em relação às futuras</i>, uma responsabilidade que pertence também a cada um dos Estados e à comunidade internacional&raquo;.<a name="_ednref17"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn17"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[17]</span></a> O uso dos recursos naturais deverá verificar-se em condições tais que as vantagens imediatas não comportem consequências negativas para os seres vivos, humanos e não humanos, presentes e vindouros; que a tutela da propriedade privada não dificulte o destino universal dos bens;<a name="_ednref18"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn18"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[18]</span></a> que a intervenção do homem não comprometa a fecundidade da terra para benefício do dia de hoje e do amanhã. Para além de uma leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada <i>solidariedade entre os indivíduos da mesma geração</i>, especialmente nas relações entre os países em vias de desenvolvimento e os países altamente industrializados: &laquo;A comunidade internacional tem o imperioso dever de encontrar as vias institucionais para regular a exploração dos recursos não renováveis, com a participação também dos países pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro&raquo;.<a name="_ednref19"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn19"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[19]</span></a> <i>A crise ecológica manifesta a urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo</i>. Com efeito, é importante reconhecer, entre as causas da crise ecológica actual, a responsabilidade histórica dos países industrializados. Contudo os países menos desenvolvidos e, de modo particular, os países emergentes não estão exonerados da sua própria responsabilidade para com a criação, porque o dever de adoptar gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos. Isto poder-se-ia realizar mais facilmente se houvesse cálculos menos interesseiros na assistência, na transferência dos conhecimentos e tecnologias menos poluidoras.</span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">9. Um dos nós principais a enfrentar pela comunidade internacional é, sem dúvida, o dos recursos energéticos, delineando estratégias compartilhadas e sustentáveis para satisfazer as necessidades de energia da geração actual e das gerações futuras. Para isso, é preciso que as sociedades tecnologicamente avançadas estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as próprias necessidades de energia e melhorando as condições da sua utilização. Ao mesmo tempo é preciso promover a pesquisa e a aplicação de energias de menor impacto ambiental e a &laquo;redistribuição mundial dos recursos energéticos, de modo que os próprios países desprovidos possam ter acesso aos mesmos&raquo;.<a name="_ednref20"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn20"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[20]</span></a> Deste modo, a crise ecológica oferece uma oportunidade histórica para elaborar uma resposta colectiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma direcção mais respeitadora da criação e de um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores próprios da caridade na verdade. Faço votos, portanto, de que se adopte um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da necessidade de mudar os estilos de vida e na prudência, virtude que indica as acções que se devem realizar hoje na previsão do que poderá suceder amanhã.<a name="_ednref21"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn21"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[21]</span></a></span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">10. A fim de guiar a humanidade para uma gestão globalmente sustentável do ambiente e dos recursos da terra, o homem é chamado a concentrar a sua inteligência no campo da pesquisa científica e tecnológica e na aplicação das descobertas que daí derivam. A &laquo;nova solidariedade&raquo;, que João Paulo II propôs na <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/messages/peace/documents/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1990</span></a>,</i><a name="_ednref22"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn22"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[22]</span></a> e a &laquo;solidariedade global&raquo;, a que eu mesmo fiz apelo na <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20081208_xlii-world-day-peace_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009</span></a>,</i><a name="_ednref23"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn23"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[23]</span></a> apresentam-se como atitudes essenciais para orientar o compromisso de tutela da criação através de um sistema de gestão dos recursos da terra melhor coordenado a nível internacional, sobretudo no momento em que se vê aparecer, de forma cada vez mais evidente, a forte relação que existe entre a luta contra a degradação ambiental e a promoção do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma dinâmica imprescindível, já que &laquo;o desenvolvimento integral do homem não pode realizar-se sem o desenvolvimento solidário da humanidade&raquo;.<a name="_ednref24"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn24"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[24]</span></a> Muitas são hoje as oportunidades científicas e os potenciais percursos inovadores, mediante os quais é possível fornecer soluções satisfatórias e respeitadoras da relação entre o homem e o ambiente. Por exemplo, é preciso encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar. A mesma atenção se deve prestar à questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrogeológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas. De igual modo deve-se procurar apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas, o tratamento do lixo, a valorização das sinergias existentes no contraste às alterações climáticas e na luta contra a pobreza. São precisas políticas nacionais ambiciosas, completadas pelo necessário empenho internacional que há-de trazer importantes benefícios sobretudo a médio e a longo prazo. Enfim, é necessário sair da lógica de mero consumo para promover formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos. A questão ecológica não deve ser enfrentada apenas por causa das pavorosas perspectivas que a degradação ambiental esboça no horizonte; o motivo principal há-de ser a busca duma autêntica solidariedade de dimensão mundial, inspirada pelos valores da caridade, da justiça e do bem comum. Por outro lado, como já tive ocasião de recordar, a técnica &laquo;nunca é simplesmente técnica; mas manifesta o homem e as suas aspirações ao desenvolvimento, exprime a tensão do ânimo humano para uma gradual superação de certos condicionamentos materiais. Assim, <i>a técnica insere-se no mandato de &ldquo;cultivar e guardar a terra&rdquo;</i> (cf. <i>Gn</i> 2, 15) que Deus confiou ao homem, e há-de ser orientada para reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente em que se deve reflectir o amor criador de Deus&raquo;.<a name="_ednref25"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn25"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[25]</span></a></span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">11. É cada vez mais claro que o tema da degradação ambiental põe em questão os comportamentos de cada um de nós, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produção hoje dominantes, muitas vezes insustentáveis do ponto de vista social, ambiental e até económico. Torna-se indispensável uma real mudança de mentalidade que induza a todos a adoptarem <i>novos estilos de vida</i>, &laquo;nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento&raquo;.<a name="_ednref26"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn26"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[26]</span></a> Deve-se educar cada vez mais para se construir a paz a partir de opções clarividentes a nível pessoal, familiar, comunitário e político. Todos somos responsáveis pela protecção e cuidado da criação. Tal responsabilidade não conhece fronteiras. Segundo <i>o princípio de subsidiariedade</i>, é importante que cada um, no nível que lhe corresponde, se comprometa a trabalhar para que deixem de prevalecer os interesses particulares. Um papel de sensibilização e formação compete de modo particular aos vários sujeitos da sociedade civil e às organizações não-governamentais, empenhados com determinação e generosidade na difusão de uma responsabilidade ecológica, que deveria aparecer cada vez mais ancorada ao respeito pela &laquo;ecologia humana&raquo;. Além disso, é preciso lembrar a responsabilidade dos meios de comunicação social neste âmbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspiração. É que ocu-par-se do ambiente requer uma visão larga e global do mundo; um esforço comum e responsável a fim de passar de uma lógica centrada sobre o interesse egoísta da nação para uma visão que sempre abrace as necessidades de todos os povos. Não podemos permanecer indiferentes àquilo que sucede ao nosso redor, porque a deterioração de uma parte qualquer do mundo recairia sobre todos. As relações entre pessoas, grupos sociais e Estados, bem como as relações entre homem e ambiente são chamadas a assumir o estilo do respeito e da &laquo;caridade na verdade&raquo;. Neste contexto alargado, é altamente desejável que encontrem eficaz correspondência os esforços da comunidade internacional que visam obter um progressivo desarmamento e um mundo sem armas nucleares, cuja mera presença ameaça a vida da terra e o processo de desenvolvimento integral da humanidade actual e futura.</span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">12. <i>A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela criação</i> e sente que a deve exercer também em âmbito público, para defender a terra, a água e o ar, dádivas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destruição de si mesmo. Com efeito, a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana, pelo que, &laquo;<i>quando a &ldquo;ecologia humana&rdquo;é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental</i>&raquo;.<a name="_ednref27"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn27"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[27]</span></a> Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados, em família e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza é único, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da ética pessoal, familiar e social.<a name="_ednref28"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn28"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[28]</span></a> Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros. Por isso, de bom grado encorajo a educação para uma responsabilidade ecológica, que, como indiquei na encíclica <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, salvaguarde uma autêntica &laquo;ecologia humana&raquo; e consequentemente afirme, com renovada convicção, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condições, a dignidade da pessoa e a missão insubstituível da família, onde se educa para o amor ao próximo e o respeito da natureza.<a name="_ednref29"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn29"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[29]</span></a> É preciso preservar o património humano da sociedade. Este património de valores tem a sua origem e está inscrito na lei moral natural, que é fundamento do respeito da pessoa humana e da criação.</span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">13. Por fim não se deve esquecer o facto, altamente significativo, de que muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto directo com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós. Por outro lado, uma visão correcta da relação do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa. Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos. Deste modo, chega-se realmente a eliminar a identidade e a função superior do homem, favorecendo uma visão igualitarista da &laquo;dignidade&raquo; de todos os seres vivos. Assim se dá entrada a um novo panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem. Ao contrário, a Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado, no respeito da &laquo;gramática&raquo; que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardião e administrador responsável da criação, papel de que certamente não deve abusar mas também não pode abdicar. Com efeito, a posição contrária, que considera a técnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado não só à natureza, mas também à própria dignidade humana.<a name="_ednref30"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_edn30"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">[30]</span></a></span></p><p style="" class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">14. <i>Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação</i>. A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os cristãos, iluminados pela Revelação divina e seguindo a Tradição da Igreja, prestam a sua própria contribuição. Consideram o cosmos e as suas maravilhas à luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo, que, pela sua morte e ressurreição, reconciliou com Deus &laquo;todas as criaturas, na terra e nos céus&raquo; (<i>Cl</i> 1, 20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu à humanidade o dom do seu Espírito santificador, que guia o caminho da história à espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, serão inaugurados &laquo;novos céus e uma nova terra&raquo; (<i>2 Pd</i> 3, 13), onde habitarão a justiça e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se há-de enfrentar com renovado e concorde empenho; é uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os responsáveis das nações e quantos, nos diversos níveis, têm a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da criação e a realização da paz são realidades intimamente ligadas entre si. Por isso, convido todos os crentes a elevarem a Deus, Criador omnipotente e Pai misericordioso, a sua oração fervorosa, para que no coração de cada homem e de cada mulher ressoe, seja acolhido e vivido o premente apelo: <i>Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação</i>.</span></p><p style="" class="MsoNormal"><i><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">Vaticano, 8 de Dezembro de 2009.</span></i><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;"></span></p><p align="center" style="text-align: center;" class="MsoNormal"><b><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">BENEDICTUS PP. XVI</span></b><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;"></span></p><div><div class="MsoNormal"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;"><hr size="1" align="left" width="33%" /></span></div></div><p class="MsoNormal"><a name="_edn1"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref1"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[1]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;<i><a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Catecismo da Igreja Católica</span></a></i>, 198. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn2"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref2"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[2]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Bento XVI, <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20071208_xli-world-day-peace_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Mensagem para o Dia Mundial da Paz</span></a></i> (1 de Janeiro de 2008), 7. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn3"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref3"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[3]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. n. 48. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn4"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref4"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[4]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Dante Alighieri, <i>Divina Comédia: O Paraíso</i>, XXXIII, 145. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn5"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref5"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[5]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;<i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/messages/peace/documents/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Mensagem para o Dia Mundial da Paz</span></a></i> (1 de Janeiro de 1990), 1. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn6"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref6"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[6]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Carta ap. <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_letters/documents/hf_p-vi_apl_19710514_octogesima-adveniens_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Octogesima adveniens</span></a></i>, 21. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn7"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref7"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[7]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;<i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/messages/peace/documents/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Mensagem para o Dia Mundial da Paz</span></a> </i>(1 de Janeiro de 1990), 10. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn8"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref8"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[8]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. Bento XVI, Carta enc.<i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, 32. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn9"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref9"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[9]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;<i><a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Catecismo da Igreja Católica</span></a></i>, 295. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn10"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref10"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[10]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Heráclito de Éfeso(&plusmn; 535-475 a.C.), Fragmento 22B124, in H. Diels-W. Kranz, <i>Die Fragmente der Vorsokratiker</i> (Weidmann, Berlim 19526). </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn11"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref11"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[11]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. Bento XVI, Carta enc. <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, 48. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn12"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref12"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[12]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;João Paulo II, Carta enc. <i><a href="http://www.vatican.va/edocs/POR0067/_INDEX.HTM"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Centesimus annus</span></a></i>, 37. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn13"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref13"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[13]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. Bento XVI, Carta enc. <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, 50. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn14"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref14"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[14]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Const. past. <i><a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Gaudium et spes</span></a></i>, 69. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn15"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref15"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[15]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. João Paulo II, Carta enc.<i><a href="http://www.vatican.va/edocs/POR0070/_INDEX.HTM"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Sollicitudo rei socialis</span></a></i>, 34. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn16"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref16"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[16]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Bento XVI, Carta enc. <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, 37. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn17"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref17"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[17]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Pont. Conselho &laquo;Justiça e Paz&raquo;, <i><a href="http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Compêndio da Doutrina Social da Igreja</span></a></i>, 467;cf. Paulo VI, Carta enc. <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Populorum progressio</span></a></i>, 17. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn18"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref18"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[18]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. João Paulo II, Carta enc.<i> <a href="http://www.vatican.va/edocs/POR0067/_INDEX.HTM"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Centesimus annus</span></a></i>, 30-31.43. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn19"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref19"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[19]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Bento XVI, Carta enc.<i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, 49. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn20"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref20"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[20]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;<i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Ibid</span></a></i>., 49. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn21"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref21"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[21]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. São Tomás de Aquino, <i>Summa theologiae,</i> II-II, q. 49, 5. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn22"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref22"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[22]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. n. 9. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn23"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref23"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[23]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. n. 8. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn24"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref24"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[24]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Paulo VI, Carta enc.<i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Populorum progressio</span></a></i>, 43. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn25"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref25"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[25]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Carta enc.<i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, 69. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn26"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref26"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[26]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;João Paulo II, Carta enc. <i><a href="http://www.vatican.va/edocs/POR0067/_INDEX.HTM"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Centesimus annus</span></a></i>, 36. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn27"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref27"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[27]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Bento XVI, Carta enc. <i><a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, 51. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn28"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref28"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[28]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf.<i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">ibid</span></a></i>., 15.51. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn29"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref29"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[29]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf.<i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">ibid</span></a></i>., 28.51.61; João Paulo II, Carta enc.<i> <a href="http://www.vatican.va/edocs/POR0067/_INDEX.HTM"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Centesimus annus</span></a></i>, 38.39. </span></p><p style="" class="MsoNormal"><a name="_edn30"></a><a title="" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html#_ednref30"><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: rgb(102, 51, 0);">[30]</span></a><span style="font-size: 12pt; font-family: TmsRmn; color: black;">&ensp;Cf. Bento XVI, Carta enc.<i> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html"><span style="color: rgb(102, 51, 0);">Caritas in veritate</span></a></i>, 70. </span></p><p class="MsoNormal">&nbsp;</p>]]></content:encoded>
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